HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Em relação à infecção do sítio cirúrgico (ISC), podemos afirmar que:
Cirurgias em faringe, TGI inferior ou trato genital feminino → alto risco de ISC por anaeróbios.
A infecção do sítio cirúrgico (ISC) é frequentemente causada pela microbiota endógena do paciente. Em procedimentos que envolvem áreas com alta carga bacteriana, como o trato gastrointestinal inferior, faringe e trato genital feminino, a presença de bactérias anaeróbicas é esperada e deve ser coberta pela profilaxia antibiótica.
A Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais frequentes em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos, representando um desafio significativo na prática clínica e um importante indicador de qualidade hospitalar. Sua incidência varia conforme o tipo de cirurgia, o perfil do paciente e a instituição, mas impacta diretamente a morbidade, mortalidade e os custos de saúde. A compreensão dos fatores de risco e da microbiologia envolvida é fundamental para a prevenção e manejo eficazes. A fisiopatologia da ISC envolve a inoculação de microrganismos no sítio cirúrgico, seja por contaminação exógena (ambiente, equipe) ou, mais frequentemente, por translocação da flora endógena do paciente. O diagnóstico é clínico, baseado em sinais inflamatórios locais (dor, calor, rubor, edema) e, em casos mais graves, sistêmicos (febre, leucocitose), com ou sem drenagem purulenta. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente com febre pós-operatória, especialmente se houver sinais locais. O tratamento da ISC geralmente envolve drenagem da coleção purulenta, desbridamento de tecidos desvitalizados e antibioticoterapia empírica, que deve ser ajustada com base na cultura e antibiograma. A profilaxia antibiótica adequada, o controle glicêmico, a normotermia e a oxigenação tecidual são pilares na prevenção. A escolha do antibiótico profilático deve considerar os patógenos esperados para cada tipo de cirurgia, sendo os anaeróbios importantes em procedimentos que envolvem mucosas com alta carga bacteriana.
Os fatores de risco para ISC incluem a classificação da ferida cirúrgica (contaminada ou infectada), tempo cirúrgico prolongado, má técnica asséptica, comorbidades do paciente (diabetes, obesidade) e estado nutricional. A fonte dos patógenos é frequentemente a flora endógena do paciente.
A profilaxia antibiótica é crucial para reduzir o risco de ISC, especialmente em cirurgias limpas-contaminadas ou contaminadas. O antibiótico deve ser administrado no momento certo (geralmente 30-60 minutos antes da incisão) e ter espectro adequado para os prováveis patógenos do sítio cirúrgico.
Em cirurgias abdominais, especialmente as que envolvem o trato gastrointestinal inferior, os patógenos mais comuns são bactérias Gram-negativas entéricas como Escherichia coli e Klebsiella spp., além de anaeróbios como Bacteroides fragilis. Cocos Gram-positivos como Staphylococcus aureus também podem estar presentes.
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