Infecção Pós-Operatória em Colectomia: Prevenção e Fatores de Risco

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Paciente masculino portador de câncer de cólon, 62 anos, diabético. Será submetido a colectomia esquerda eletivamente. Não apresentou perda de peso, mas apresenta 30% de hematócrito, 130 mg/dl de glicemia. Proteínas séricas normais. Quanto à possibilidade de infecção no pós-operatório é incorreto afirmar: 

Alternativas

  1. A) A glicemia está aumentada, aumentando o risco de infecção, mas deverá ser controlada com insulina regular, não havendo necessidade da suspensão da cirurgia.
  2. B) O paciente deverá utilizar esquema antibiótico profilático somente no ato operatório, mesmo apresentando mais de 3 fatores de risco para infecção.
  3. C) Por se tratar de ferida potencialmente contaminada está indicada a profilaxia antimicrobiana.
  4. D) A febre no primeiro dia de pós operatório pode estar associada a atelectasia.
  5. E) A tricotomia, o preparo de cólon, e antibióticos de largo espectro por 48 horas no pós operatório são indispensáveis para diminuir o risco de infecção pós-operatória.

Pérola Clínica

Profilaxia cirúrgica: ATB curto, sem tricotomia rotineira, controle glicêmico e anemia essenciais.

Resumo-Chave

A profilaxia de infecção em cirurgia de cólon envolve múltiplos fatores: controle glicêmico rigoroso, correção de anemia, e uma profilaxia antibiótica adequada e de curta duração. A tricotomia não é rotineiramente indicada e o uso prolongado de antibióticos pós-operatórios não é recomendado, pois aumenta a resistência e não reduz o risco de infecção.

Contexto Educacional

A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns e onerosas em cirurgia, especialmente em procedimentos que envolvem o trato gastrointestinal, como a colectomia. Pacientes com comorbidades como diabetes e anemia apresentam um risco aumentado de ISC. O manejo pré-operatório é crucial para otimizar o paciente e reduzir esses riscos. O controle glicêmico é fundamental; a hiperglicemia perioperatória está associada a maior risco de infecção e deve ser controlada com insulina, sem necessariamente suspender a cirurgia eletiva se o controle for alcançado. A anemia também deve ser investigada e, se possível, corrigida antes da cirurgia. A colectomia é classificada como uma cirurgia potencialmente contaminada, indicando a necessidade de profilaxia antimicrobiana. A profilaxia antimicrobiana deve ser administrada no momento certo (na indução anestésica) e ser de curta duração (geralmente uma dose única ou até 24 horas pós-operatório). A tricotomia (raspagem dos pelos) não é recomendada rotineiramente, devendo ser evitada ou realizada com tesoura/máquina imediatamente antes da cirurgia, pois aumenta o risco de microlesões e infecção. O preparo de cólon mecânico e antibiótico oral é uma prática comum em cirurgias colorretais eletivas para reduzir a carga bacteriana intraluminal. A febre no primeiro dia de pós-operatório é frequentemente associada à atelectasia, uma complicação pulmonar comum, e não necessariamente a uma infecção cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para infecção de sítio cirúrgico em cirurgia de cólon?

Fatores de risco incluem diabetes mal controlado, anemia, desnutrição, obesidade, tabagismo, idade avançada, imunossupressão, tempo cirúrgico prolongado, técnica cirúrgica inadequada e classificação da ferida como potencialmente contaminada ou contaminada, como é o caso da colectomia.

Qual a importância do controle glicêmico no pré e pós-operatório para prevenir infecção?

O controle glicêmico rigoroso é crucial, pois a hiperglicemia prejudica a função imunológica, a cicatrização de feridas e aumenta o risco de infecção. Manter a glicemia em níveis adequados (geralmente <180 mg/dL) no perioperatório é uma medida fundamental para reduzir complicações infecciosas.

Quando a profilaxia antibiótica deve ser administrada e por quanto tempo em cirurgias de cólon?

A profilaxia antibiótica deve ser administrada na indução anestésica, cerca de 30-60 minutos antes da incisão cirúrgica. Em cirurgias de cólon, que são consideradas limpas-contaminadas ou contaminadas, a profilaxia geralmente consiste em uma dose única ou, no máximo, até 24 horas após a cirurgia. O uso prolongado não oferece benefício adicional e aumenta riscos.

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