HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2023
Paciente feminina, 82 anos, apresenta queda de própria altura, refere dor em região trocantérica direita. Em atendimento, é diagnosticada com fratura, sendo submetida à correção ortopédica com implante de órtese. Após alguns dias da cirurgia, passa a desenvolver dor local, hiperemia de sítio cirúrgico e febre. Dentre os seguintes, o agente etiológico mais provável é:
Infecção de prótese ortopédica subaguda/tardia → Staphylococcus epidermidis (biofilme).
Em infecções de sítio cirúrgico com implantes ortopédicos, especialmente quando a apresentação é subaguda ou tardia (dias após a cirurgia), o Staphylococcus epidermidis é um agente etiológico comum devido à sua capacidade de formar biofilmes na superfície do material protético, dificultando a erradicação.
A infecção de sítio cirúrgico, especialmente em pacientes com implantes ortopédicos, é uma complicação grave que exige reconhecimento e manejo adequados. A epidemiologia desses patógenos é crucial para a escolha empírica do tratamento. A idade avançada do paciente e a presença de um corpo estranho (implante) aumentam o risco de infecção, e a apresentação subaguda com dor local, hiperemia e febre é um quadro clássico que deve levantar a suspeita. A fisiopatologia da infecção de implantes é complexa, envolvendo a adesão bacteriana à superfície do material e a formação de biofilme. O Staphylococcus epidermidis, um estafilococo coagulase-negativo, é um dos principais agentes etiológicos nessas infecções, particularmente nas de início mais tardio, devido à sua capacidade de produzir exopolissacarídeos que formam o biofilme. Este biofilme atua como uma barreira protetora para as bactérias, tornando-as mais resistentes aos antibióticos e à resposta imune do hospedeiro. O diagnóstico precoce e a identificação do agente etiológico são fundamentais para o sucesso do tratamento. A conduta inicial geralmente envolve a coleta de culturas (líquido sinovial, fragmentos de tecido periprotético) e o início de antibioticoterapia empírica, que deve ser ajustada conforme o resultado da cultura e o perfil de sensibilidade. Em muitos casos de infecção de prótese, a remoção do implante e a substituição em um ou dois estágios podem ser necessárias para erradicar a infecção.
Os sinais incluem dor persistente no local da cirurgia, hiperemia, calor, inchaço, febre e, em casos mais graves, drenagem de secreção purulenta. A apresentação pode ser aguda (nas primeiras semanas) ou crônica/tardia (meses a anos após).
Staphylococcus epidermidis é uma bactéria comensal da pele que pode contaminar o implante durante a cirurgia. Sua principal característica patogênica em implantes é a capacidade de formar biofilmes, que protegem as bactérias dos antibióticos e da resposta imune do hospedeiro, levando a infecções persistentes e de difícil tratamento.
Infecções agudas geralmente ocorrem nas primeiras semanas após a cirurgia, com sinais inflamatórios evidentes e febre, frequentemente causadas por patógenos mais virulentos como S. aureus. Infecções crônicas ou tardias se manifestam meses ou anos depois, com dor e disfunção da prótese, e são comumente associadas a bactérias de baixa virulência como S. epidermidis e formação de biofilme.
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