Infecção Pós-Herniorrafia Inguinal: Manejo e Conduta

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

Paciente masculino, 70 anos, sem antecedentes médicos relevantes ao caso, foi submetido à herniorrafia inguinal direita pela técnica de Lichtenstein sem intercorrências. No terceiro dia de pós-operatório apresentou febre, queixa de dor e desconforto em região inguinal à direita. Ao exame físico observa-se edema, hiperemia, calor local. A conduta para o tratamento desta complicação pós-operatória mais adequada é:

Alternativas

  1. A) retirar todos os pontos da ferida operatória, abrir o tecido subcutâneo e deixar a tela exposta.
  2. B) reoperar o paciente neste momento e retirar a tela pelo risco de fasceíte necrotizante.
  3. C) reoperar o paciente e substituir a tela, pois pode ter ocorrido contaminação no momento de colocação desta.
  4. D) tratamento expectante por tratar-se de esperada reação local decorrente do uso da prótese.
  5. E) prescrever antibiótico e orientar cuidados locais com a ferida operatória.

Pérola Clínica

Infecção superficial pós-herniorrafia com tela → ATB e cuidados locais; remoção da tela é rara e para infecções graves.

Resumo-Chave

A febre, dor, edema e hiperemia em região inguinal no terceiro dia pós-herniorrafia com tela sugerem infecção superficial do sítio cirúrgico. A conduta inicial é tratamento com antibióticos e cuidados locais, sendo a remoção da tela uma medida extrema para infecções profundas ou refratárias.

Contexto Educacional

A herniorrafia inguinal, frequentemente realizada pela técnica de Lichtenstein com uso de tela, é um procedimento cirúrgico comum. Embora geralmente segura, pode cursar com complicações pós-operatórias, sendo a infecção do sítio cirúrgico uma das mais preocupantes, especialmente na presença de material protético. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar desfechos adversos. Os sinais de infecção do sítio cirúrgico, como febre, dor, edema, hiperemia e calor local, geralmente se manifestam nos primeiros dias ou semanas de pós-operatório. A presença de uma tela protética aumenta a complexidade, pois o biofilme bacteriano pode se formar na superfície do material, tornando a erradicação da infecção mais desafiadora. O diagnóstico é clínico, podendo ser complementado por exames laboratoriais (leucocitose, PCR elevado) e de imagem em casos de suspeita de coleções. A conduta inicial para infecções superficiais é o tratamento com antibióticos sistêmicos, cobrindo os patógenos mais comuns (Staphylococcus aureus e bactérias Gram-negativas), e cuidados locais com a ferida, como drenagem de coleções menores e curativos. A remoção da tela é uma medida radical e de exceção, reservada para infecções graves, profundas, com formação de fístulas ou refratárias ao tratamento conservador, devido ao risco significativo de recorrência da hérnia. A decisão deve ser individualizada e ponderada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de infecção do sítio cirúrgico após herniorrafia?

Os sinais clássicos incluem febre, dor localizada, edema, hiperemia e calor na região da incisão, geralmente aparecendo alguns dias após a cirurgia.

Qual a conduta inicial para uma infecção superficial pós-herniorrafia com tela?

A conduta inicial envolve a prescrição de antibióticos sistêmicos, geralmente cobrindo Staphylococcus aureus, e cuidados locais com a ferida, como limpeza e curativos.

Quando a remoção da tela cirúrgica é indicada em caso de infecção?

A remoção da tela é uma medida de exceção, indicada apenas em casos de infecção profunda, abscesso extenso, fístula ou infecção refratária ao tratamento conservador, devido ao alto risco de recorrência da hérnia.

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