Infecção de Ferida Cirúrgica: Diagnóstico e Conduta

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 50 anos, foi submetida a uma cirurgia abdominal de emergência devido a uma perfuração intestinal decorrente de um quadro de diverticulite aguda. No pós-operatório, a paciente apresenta uma ferida cirúrgica com bordas edemaciadas, eritematosas e com secreção purulenta. A análise dos exames laboratoriais revela uma contagem elevada de leucócitos e um aumento nos níveis de proteína C reativa. Diante desse quadro, o médico assistente suspeita de uma infecção da ferida cirúrgica. Qual é a conduta apropriada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Administrar uma dose única de um antibiótico de amplo espectro.
  2. B) Realizar a drenagem da secreção purulenta da ferida e prescrever um esquema antibiótico adequado à infecção.
  3. C) Observar o quadro e reavaliar em uma semana, caso haja persistência dos sinais de infecção, iniciar tratamento com antibióticos.
  4. D) Realizar uma limpeza da ferida com solução fisiológica e posterior aplicação de uma pomada apropriada para o tratamento de infecções.

Pérola Clínica

Infecção de ferida cirúrgica com secreção purulenta → Drenagem + Antibioticoterapia adequada.

Resumo-Chave

Infecções de ferida cirúrgica, especialmente com sinais de coleção purulenta, exigem intervenção ativa. A drenagem da secreção é essencial para remover o foco infeccioso, e a antibioticoterapia deve ser iniciada prontamente, idealmente após coleta de cultura, para combater os patógenos responsáveis.

Contexto Educacional

Infecções de sítio cirúrgico (ISC) representam uma das complicações pós-operatórias mais comuns e impactam significativamente a morbidade, mortalidade e custos hospitalares. A paciente do caso, submetida a uma cirurgia abdominal de emergência por perfuração intestinal (um procedimento contaminado), apresenta um quadro clássico de ISC, com bordas edemaciadas, eritematosas, secreção purulenta, leucocitose e PCR elevada. O diagnóstico de ISC é predominantemente clínico, baseado nos sinais inflamatórios locais e sistêmicos. A presença de secreção purulenta é um indicador inequívoco de infecção. A fisiopatologia envolve a proliferação bacteriana no local da incisão, muitas vezes por microrganismos da flora endógena do paciente ou contaminação externa, exacerbada por fatores de risco como cirurgias de emergência, contaminação intraoperatória e estado imunológico comprometido. A conduta apropriada para uma infecção de ferida cirúrgica com secreção purulenta não se limita à antibioticoterapia. A drenagem da secreção, que pode exigir a abertura de parte da incisão, é fundamental para remover o material infectado e permitir a cicatrização por segunda intenção ou fechamento tardio. A antibioticoterapia deve ser iniciada após a coleta de material para cultura e antibiograma, cobrindo os patógenos mais prováveis (geralmente gram-positivos da pele e, em cirurgias abdominais, gram-negativos e anaeróbios). O tratamento eficaz previne complicações como celulite, fasciite necrosante e sepse, sendo um conhecimento essencial para residentes em cirurgia e clínica médica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma infecção de ferida cirúrgica?

Os sinais e sintomas incluem eritema, edema, dor, calor local, secreção purulenta, febre, leucocitose e aumento dos níveis de proteína C reativa. A presença de secreção purulenta é um sinal cardinal de infecção.

Qual a conduta inicial para uma ferida cirúrgica com secreção purulenta?

A conduta inicial mais apropriada é a drenagem da secreção purulenta, que pode envolver a abertura de pontos e desbridamento, seguida pela coleta de cultura para identificação do agente etiológico e início de antibioticoterapia empírica adequada ao perfil de risco do paciente e tipo de cirurgia.

Por que a drenagem é crucial no tratamento de infecções de ferida cirúrgica?

A drenagem é crucial porque remove o material purulento, que atua como um meio de cultura para bactérias e impede a ação eficaz dos antibióticos. A remoção do foco infeccioso é fundamental para o controle da infecção e cicatrização da ferida.

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