Dermatite Atópica Infectada: Manejo e Antibioticoterapia Oral

PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menino de 3 anos, faz acompanhamento irregular no ambulatório de imunologia devido a dermatite atópica. Há 4 dias está apresentando lesões em fossa poplítea que iniciaram-se vesiculares evoluindo para bolhosas com crostas amareladas e hiperemia local. Há 1 dia apresentou 1 pico febril de 38oC. Qual a opção terapêutica para esta criança?

Alternativas

  1. A) Para o tratamento do quadro infeccioso seria indicado como primeira escolha o uso de amoxacilina + clavulanato de potássio EV por 10 dias;
  2. B) Está recomendado o uso de antibiótico tópico (neomicina + bacitracina até desaparecimento das lesões;
  3. C) Deverá ser realizado o tratamento de resgate do quadro de dermatite com antihistamínico e corticóide tópico;
  4. D) Está indicado o uso de cefalexina VO 50 mg/kg/dia 6/6 h por 7 dias.

Pérola Clínica

Dermatite atópica + lesões vesiculares/bolhosas/crostas amareladas + febre → Infecção bacteriana secundária. Tratar com Cefalexina VO.

Resumo-Chave

Pacientes com dermatite atópica têm a barreira cutânea comprometida, tornando-os mais suscetíveis a infecções secundárias, frequentemente por Staphylococcus aureus. A presença de lesões vesiculares, bolhosas, crostas melicéricas e febre sugere impetigo ou celulite, indicando a necessidade de antibioticoterapia sistêmica, com cefalexina sendo uma excelente escolha oral para cobertura de cocos Gram-positivos.

Contexto Educacional

A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por prurido intenso e lesões eczematosas. Pacientes com DA possuem uma barreira cutânea comprometida e disfunção imunológica, o que os torna particularmente suscetíveis a infecções secundárias, sendo o Staphylococcus aureus o patógeno mais comum. O reconhecimento e tratamento precoce dessas infecções são cruciais para evitar complicações e melhorar o controle da DA. O quadro clínico descrito, com lesões vesiculares evoluindo para bolhosas e crostas amareladas (melicéricas) em fossa poplítea, associado à hiperemia e febre, é altamente sugestivo de impetigo bolhoso ou celulite, uma infecção bacteriana secundária. A febre indica que a infecção não é apenas superficial e localizada, mas tem repercussão sistêmica, exigindo tratamento oral ou, em casos mais graves, intravenoso. A opção terapêutica para esta criança deve ser um antibiótico sistêmico com boa cobertura para Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. A cefalexina, uma cefalosporina de primeira geração, é uma excelente escolha para infecções cutâneas não complicadas em pediatria, administrada por via oral na dose e frequência adequadas por 7 dias. Antibióticos tópicos seriam insuficientes para um quadro com febre, e a amoxicilina + clavulanato EV seria uma escolha excessiva para um quadro que pode ser tratado oralmente, a menos que houvesse sinais de gravidade ou falha terapêutica oral. O tratamento da dermatite atópica subjacente deve ser otimizado após o controle da infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de infecção bacteriana secundária em lesões de dermatite atópica?

Sinais de infecção incluem exsudato purulento, crostas melicéricas (amareladas), aumento da dor ou calor local, eritema progressivo, lesões vesiculares ou bolhosas, e sintomas sistêmicos como febre ou linfadenopatia regional.

Por que a cefalexina é uma boa escolha para infecções cutâneas em pediatria?

A cefalexina é uma cefalosporina de primeira geração com excelente cobertura para cocos Gram-positivos, incluindo Staphylococcus aureus (não MRSA) e Streptococcus pyogenes, que são os principais agentes etiológicos de infecções cutâneas como impetigo e celulite em crianças.

Quando é indicado o uso de antibióticos tópicos versus sistêmicos em infecções de pele?

Antibióticos tópicos são indicados para infecções cutâneas localizadas e superficiais, sem sinais de infecção sistêmica. Antibióticos sistêmicos são necessários para infecções mais extensas, profundas, com celulite, ou na presença de sinais sistêmicos como febre, como no caso da questão.

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