USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Gestante de 25 anos de idade, 31 semanas e 2 dias de gestação, chega ao pronto atendimento com queixa de coriza, tosse e febre há 5 dias. Hoje amanheceu com falta de ar. Nega doenças prévias. Ao exame clínico, REG, descorada+/4, hidratada, FC= 122 bpm; T= 37,9°C, Saturação 89%, bulhas rítmicas em dois tempos sem sopros, murmúrios vesiculares presentes e diminuídos em hemitórax direito roncos e sibilos bilaterais, altura uterina de 30cm, BCF presente e rítmico, dinâmica uterina ausente, tônus uterino normal.Durante o atendimento inicial foi realizada a seguinte cardiotocografia:Além de ofertar oxigênio, qual é a conduta obstétrica?
Gestante com doença grave e hipoxemia: priorizar estabilização materna e monitorizar feto se sem sofrimento.
A paciente apresenta um quadro de infecção respiratória grave com hipoxemia, exigindo suporte de oxigênio e tratamento da condição materna. Como a cardiotocografia é normal e não há trabalho de parto, a conduta obstétrica imediata é manter a monitorização fetal, sem indicação de interrupção da gestação pré-termo.
Infecções respiratórias graves em gestantes, como a pneumonia ou COVID-19, representam um desafio clínico significativo devido ao impacto potencial na saúde materna e fetal. A fisiologia da gravidez, com alterações imunológicas e respiratórias, pode tornar as gestantes mais suscetíveis a formas graves de infecção e hipoxemia. A hipoxemia materna é uma preocupação primordial, pois pode levar à hipóxia fetal, acidose e comprometimento do desenvolvimento. O manejo inicial foca na estabilização da mãe, incluindo oxigenoterapia para manter a saturação materna adequada, tratamento da infecção subjacente e suporte ventilatório, se necessário. A avaliação fetal é realizada através da monitorização contínua, como a cardiotocografia, para identificar sinais de sofrimento fetal. Se o feto estiver bem, sem sinais de hipóxia ou acidose, e não houver trabalho de parto prematuro, a conduta obstétrica é expectante, mantendo a monitorização. A interrupção da gestação pré-termo é reservada para situações de sofrimento fetal grave e irreversível ou deterioração materna refratária ao tratamento, sempre buscando o melhor desfecho para ambos.
A oxigenoterapia é crucial para gestantes com hipoxemia, pois a hipóxia materna pode levar à hipóxia fetal, comprometendo o bem-estar do bebê. Manter a saturação materna acima de 92-95% é o objetivo.
A interrupção da gestação é considerada em casos de doença materna grave refratária ao tratamento, com risco iminente de vida para a mãe, ou quando há sofrimento fetal irreversível, após avaliação multidisciplinar.
A cardiotocografia avalia o bem-estar fetal através da frequência cardíaca fetal, variabilidade, acelerações e desacelerações, indicando se o feto está tolerando bem a condição materna ou se há sinais de sofrimento.
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