CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2017
Alice de 3 anos de idade está apresentando tosse, febre, tiragem subcostal, taquipnéia (60 irpm), recusa alimentar e síbilos inspiratórios. A mãe refere que há outras crianças com quadro semelhante na creche que frenquenta. Com essa história pode-se dizer que:
Criança < 5 anos com quadro respiratório agudo (tosse, taquipneia, sibilos) + surto em creche → etiologia viral (VSR comum).
O quadro clínico de Alice, com tosse, febre, desconforto respiratório (taquipneia, tiragem) e sibilos inspiratórios, em uma criança de 3 anos com histórico de surto em creche, é altamente sugestivo de infecção respiratória viral, sendo o VSR um dos agentes mais comuns nessa faixa etária, especialmente em países desenvolvidos.
As infecções respiratórias agudas (IRAs) são uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente na faixa etária pediátrica. O quadro clínico de Alice, com tosse, febre, tiragem subcostal, taquipneia e sibilos inspiratórios, é clássico de uma infecção do trato respiratório inferior. A epidemiologia dessas infecções varia com a idade, estação do ano e o nível de desenvolvimento do país. Em crianças menores de 5 anos, e particularmente em países desenvolvidos, os agentes etiológicos virais são os mais prevalentes, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o mais frequentemente implicado, especialmente em casos de bronquiolite. O VSR é um patógeno altamente contagioso que causa infecções sazonais, com picos no outono e inverno. A transmissão ocorre por contato direto com secreções respiratórias, sendo comum a ocorrência de surtos em ambientes como creches. A fisiopatologia envolve a inflamação e necrose do epitélio brônquico e bronquiolar, levando a edema, hipersecreção de muco e broncoespasmo, o que justifica os sibilos e o desconforto respiratório. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas e no exame físico. Exames complementares como radiografia de tórax e hemograma geralmente não são essenciais para o diagnóstico inicial de bronquiolite viral típica, mas podem ser úteis em casos atípicos ou graves. O manejo é principalmente de suporte, com foco na oxigenação e hidratação. A prevenção, através de medidas de higiene e, em casos selecionados, imunoprofilaxia com palivizumabe, é fundamental.
Sinais de alerta incluem taquipneia (FR > 60 irpm em < 2 meses; > 50 irpm em 2-12 meses; > 40 irpm em > 12 meses), tiragem subcostal, batimento de asa de nariz, cianose, gemência e recusa alimentar.
O VSR é a principal causa de bronquiolite e pneumonia em lactentes e crianças pequenas, podendo levar a quadros graves com necessidade de hospitalização, especialmente em prematuros e imunocomprometidos.
Quadros virais frequentemente apresentam sintomas mais insidiosos, com coriza, tosse e febre, podendo evoluir com sibilância. Infecções bacterianas tendem a ter início mais abrupto, febre alta persistente, e sinais de toxemia, embora a distinção possa ser desafiadora e exija avaliação clínica cuidadosa.
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