Santa Casa de Barra Mansa (RJ) — Prova 2017
Um menino de 1 ano e 2 meses apresenta quadro respiratório de evolução de 4 dias com tosse desde o primeiro dia, secreção clara nos primeiros 2 dias e purulenta daí em diante. Há um dia, está com febre, aferida na unidade básica de saúde em 39,2º C, frequência respiratória de 59 irpm e sem tiragem no exame físico. Ainda sobre o menino e sua família. Eles mudaram-se há uma semana para a área de abrangência da unidade básica de saúde e foram devidamente cadastrados. Identifica-se que o menino é desnutrido e foi desmamado aos dois meses; os pais são fumantes e moram num total de dez pessoas numa casa com dois cômodos utilizados como dormitório, que, pela baixa proteção ao frio, fica constantemente fechada. Além disso, identifica-se que o pai é marceneiro mas está desempregado, e a mãe já conseguiu trabalho como frentista num posto de gasolina e deixa os filhos mais novos para serem cuidados pelos irmãos mais velhos e por outros adultos da família.Considere os itens abaixo e marque (S) para aqueles que SÃO CONSIDERADOS fatores de risco para mortalidade por infecção respiratória aguda e (N) para os que NÃO SÃO. ( ) Desnutrição. ( ) Confinamento. ( ) Indefinição de cuidador domiciliar. ( ) Desemprego do pai ou da mãe. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Principais riscos de morte por IRA → Desnutrição, Baixa idade, Comorbidades e Confinamento.
Fatores biológicos (desnutrição) e ambientais (confinamento/aglomeração) são determinantes diretos na gravidade e mortalidade das infecções respiratórias agudas em crianças.
As Infecções Respiratórias Agudas (IRA) representam uma das principais causas de morbimortalidade na infância globalmente. O manejo clínico deve ser acompanhado da identificação de fatores que elevam o risco de evolução desfavorável. Entre os fatores biológicos, destacam-se a desnutrição, a interrupção precoce do aleitamento materno e a vacinação incompleta. Entre os fatores ambientais, o tabagismo passivo e o confinamento (muitas pessoas no mesmo dormitório) são cruciais. Protocolos de saúde pública priorizam a intervenção nesses fatores para reduzir as taxas de pneumonia grave e óbito infantil, diferenciando-os de indicadores puramente socioeconômicos que, embora relevantes para a vulnerabilidade geral, não ditam a gravidade clínica imediata do quadro infeccioso.
A desnutrição compromete a imunidade celular e humoral, reduzindo a capacidade da criança de combater patógenos respiratórios. Além disso, a musculatura respiratória de crianças desnutridas é mais fraca, o que predispõe à fadiga respiratória precoce e evolução para insuficiência respiratória grave em quadros de pneumonia.
O confinamento e a aglomeração domiciliar facilitam a transmissão de vírus e bactérias através de aerossóis e gotículas. Em ambientes fechados e com muitas pessoas, a carga viral/bacteriana de exposição é maior, e a reinfecção é frequente, o que eleva o risco de complicações graves e desfechos fatais em lactentes.
Embora o desemprego seja um determinante social de saúde importante que afeta o acesso a recursos, ele não é listado nos protocolos clínicos oficiais como um fator de risco direto para mortalidade por IRA, ao contrário de fatores biológicos como idade < 2 meses ou desnutrição grave.
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