Prevenção de Infecção Relacionada ao Cateter Venoso Central

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Paciente feminina, 70 anos, internada em cuidados intensivos há 15 dias por pneumonia, apresenta piora clínica e laboratorial, com necessidade de retorno a ventilação mecânica, aumento de drogas vasoativas e piora da leucocitose. Ao exame físico observa-se hiperemia da pele ao redor da inserção do cateter venoso central na subclávia esquerda. Em relação a esta complicação, assinale a assertiva correta:

Alternativas

  1. A) A inserção de um cateter venoso central sob condições não ideais não modifica a incidência de complicações infecciosas.
  2. B) O tratamento desta paciente baseia-se no escalonamento do antibiótico em uso além de cuidados locais com o cateter com curativo de clorexidina.
  3. C) A prevenção desta complicação pode ser realizada com o uso por tempo adequado do cateter além da preparação da pele com clorexidina antes da inserção.
  4. D) Todo paciente febril em cuidados intensivos e em uso de acesso venoso central deve ter seu cateter removido até a resolução da febre por um período de 48 horas.
  5. E) Este cateter venoso central deve ser retirado imediatamente e pode ser realizada a punção de um novo acesso no mesmo local, mudando a substância utilizada para a preparação da pele.

Pérola Clínica

Prevenção de IPCS = Clorexidina alcoólica + Técnica asséptica + Retirada precoce.

Resumo-Chave

A prevenção de infecções de corrente sanguínea associadas a cateteres (IPCS) baseia-se em protocolos rígidos de antissepsia com clorexidina e na manutenção de técnicas de barreira máxima durante a inserção.

Contexto Educacional

A infecção de corrente sanguínea associada a cateter (IPCS) é uma das principais causas de morbidade e aumento de custos em unidades de terapia intensiva. O caso descreve uma paciente idosa em ventilação mecânica com sinais de inflamação no sítio de inserção do cateter (hiperemia), sugerindo uma complicação infecciosa local ou sistêmica. A literatura médica enfatiza que a prevenção é a estratégia mais eficaz. O uso de clorexidina para o preparo da pele e a manutenção de técnica asséptica rigorosa são intervenções de alto impacto. Além disso, a vigilância diária do sítio de inserção e a avaliação da necessidade de permanência do dispositivo são fundamentais para reduzir a incidência dessas complicações. O tratamento de uma infecção suspeita envolve a coleta de hemoculturas pareadas (periférica e do cateter) e, dependendo do cenário clínico, a remoção do dispositivo.

Perguntas Frequentes

Qual o melhor antisséptico para inserção de cateter central?

A clorexidina alcoólica em concentração superior a 0,5% é considerada o padrão-ouro para a preparação da pele antes da inserção de cateteres venosos centrais. Ela demonstrou superioridade em relação ao PVPI (povidona-iodo) na redução de taxas de colonização do cateter e de infecções de corrente sanguínea, devido ao seu efeito residual prolongado e ação rápida.

Quando um cateter venoso central deve ser removido?

Um cateter deve ser removido imediatamente se não for mais clinicamente necessário, se houver sinais de infecção grave (sepse sem outro foco, choque séptico), se houver evidência de infecção local purulenta ou se houver diagnóstico confirmado de infecção de corrente sanguínea por patógenos de difícil erradicação (como S. aureus ou Candida spp.). A febre isolada em paciente estável nem sempre exige a retirada imediata antes da coleta de culturas.

Quais são os componentes do 'bundle' de inserção de cateter?

O bundle de inserção inclui cinco componentes principais: 1) Higiene das mãos; 2) Precauções de barreira máxima (máscara, gorro, avental estéril, luvas estéreis e campos grandes); 3) Antissepsia da pele com clorexidina; 4) Seleção do sítio de inserção ideal (evitando a veia femoral se possível); e 5) Revisão diária da necessidade do cateter com remoção precoce.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo