Infecção Cateter Diálise: Manejo e Complicações

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 30 anos de idade, com doença renal em fase terminal em tratamento dialítico, através de um cateter tunelado no ombro evolui com febre e dor lombar intensa. Ao exame, ela está desconfortável e diaforética, mas hemodinamicamente estável. Ela apresenta um sopro protossistólico suave, 2+ / 6+. O sítio do cateter está vermelho e quente, mas não há exsudato purulento. Ela se queixa de muita dor lombar. O exame neurológico é normal. Não há evidências de lesões de Janeway, nódulos de Osler ou manchas de Roth. A contagem de leucócitos é 16.700, com 12% de formas jovens. A avaliação imediata deve incluir todas as opções a seguir, exceto:

Alternativas

  1. A) RM de medula lombar;
  2. B) Remoção do cateter dialítico;
  3. C) Ecocardiografia transtorácico;
  4. D) Coleta de 2 amostras de sangue para hemocultura e, a seguir, vancomicina + cobertura para germes Gram-negativos;
  5. E) Nenhuma das alternativas anteriores;

Pérola Clínica

Paciente dialítica com febre, dor lombar e cateter infectado → alta suspeita de sepse, espondilodiscite e endocardite. Ecocardiograma transtorácico (ETT) pode ser insuficiente.

Resumo-Chave

Paciente em diálise com cateter tunelado infectado, febre e dor lombar intensa sugere infecção sistêmica com possível disseminação hematogênica (espondilodiscite, endocardite). A avaliação imediata deve focar na remoção da fonte de infecção (cateter), hemoculturas e antibioticoterapia empírica. A RM de medula lombar é crucial para a dor lombar. Um ecocardiograma transtorácico (ETT) pode ter baixa sensibilidade para vegetações pequenas, sendo o transesofágico (ETE) preferível se a suspeita de endocardite for alta.

Contexto Educacional

Pacientes em hemodiálise com cateteres tunelados têm alto risco de infecções relacionadas ao cateter, que podem evoluir para sepse e complicações graves. O quadro de febre, dor lombar intensa, leucocitose com desvio à esquerda e um sítio de cateter inflamado, mesmo sem exsudato purulento, é altamente sugestivo de uma infecção sistêmica. A dor lombar intensa, em particular, levanta a suspeita de espondilodiscite (infecção dos discos intervertebrais e vértebras), uma complicação comum da bacteremia em pacientes com cateteres. A avaliação imediata deve focar na identificação da fonte da infecção e no tratamento agressivo. A remoção do cateter dialítico é uma medida crucial, pois o cateter é a provável porta de entrada e um foco de infecção persistente. A coleta de hemoculturas (pelo menos duas amostras de sítios diferentes, incluindo uma do cateter) é essencial antes de iniciar a antibioticoterapia empírica, que deve ter ampla cobertura para germes Gram-positivos (incluindo MRSA, como vancomicina) e Gram-negativos. A dor lombar intensa exige investigação por imagem. A Ressonância Magnética (RM) da medula lombar é o exame de escolha para diagnosticar espondilodiscite, sendo mais sensível que a tomografia ou radiografias simples. Embora a paciente apresente um sopro cardíaco, o ecocardiograma transtorácico (ETT) pode ter sensibilidade limitada para detectar vegetações pequenas em endocardite infecciosa, especialmente em pacientes com cateteres ou próteses. Nesses casos, o ecocardiograma transesofágico (ETE) é geralmente superior e seria a escolha mais adequada se a suspeita de endocardite for alta, tornando o ETT a opção "exceto" para uma avaliação imediata e completa em um cenário de alta suspeita.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais complicações da infecção de cateter em pacientes dialíticos?

As principais complicações incluem sepse, endocardite infecciosa, osteomielite (incluindo espondilodiscite) e abscessos metastáticos, devido à disseminação hematogênica do patógeno.

Por que a remoção do cateter é uma medida imediata?

O cateter é a provável fonte da infecção e sua remoção é crucial para controlar a bacteremia e prevenir a persistência da infecção, especialmente em casos de sepse ou suspeita de endocardite/espondilodiscite.

Quando a ecocardiografia transesofágica (ETE) é preferível ao transtorácico (ETT)?

A ETE é mais sensível que o ETT para detectar vegetações pequenas, abscessos e outras lesões valvares, sendo preferível em pacientes com alta suspeita de endocardite, especialmente aqueles com próteses valvares ou cateteres de longa permanência.

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