HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023
Homem de 54 anos procura o pronto-socorro por dor no pescoço há 6 dias, associada a febre diária e prostração. Tem antecedentes de etilismo, 1/2 garrafa de destilado por dia, e de tabagismo, 1 maço/dia há muitos anos. Nega outras morbidades. Ao exame físico, nota-se abaulamento em zona II do pescoço, à direita, com aumento de temperatura, hiperemia e muita dor à palpação. A tomografia evidencia coleção de cerca de 50 mL de líquido espesso em região medial ao músculo esternocleidomastoideo, anteriormente aos vasos cervicais; tem enfisema de subcutâneo associado. Pulso: 110 bpm, PA: 110 × 80 mmHg. Além de precisar ser internado e receber antibioticoterapia intravenosa, este paciente deve ser tratado com drenagem
Infecção profunda de pescoço com enfisema subcutâneo → drenagem cirúrgica ampla + ATB + investigação de foco (odontológico).
Infecções profundas do pescoço são emergências que exigem drenagem cirúrgica imediata e agressiva, especialmente na presença de sinais de necrose tecidual como enfisema subcutâneo. A avaliação de um foco odontogênico é fundamental, pois é uma das causas mais comuns.
As infecções profundas de pescoço são condições graves que podem evoluir rapidamente para comprometimento de via aérea, sepse e mediastinite descendente necrosante, uma complicação com alta mortalidade. A etiologia é frequentemente polimicrobiana, com origem em infecções odontogênicas, faríngeas ou de glândulas salivares. Pacientes com comorbidades como etilismo e tabagismo têm maior risco de desenvolver quadros mais graves. O diagnóstico baseia-se na história clínica (dor, febre, prostração), exame físico (abaulamento, hiperemia, dor à palpação, crepitação ou enfisema subcutâneo) e exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada (TC) com contraste o padrão-ouro para delimitar a extensão da coleção e identificar sinais de complicação. A presença de enfisema subcutâneo na TC é um achado preocupante, indicando a presença de gás e possível infecção por anaeróbios ou fasciíte necrosante, que exige intervenção agressiva. A conduta para infecções profundas de pescoço é uma emergência e envolve internação hospitalar, antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro (com cobertura para anaeróbios e gram-positivos/negativos) e, crucialmente, drenagem cirúrgica. A drenagem deve ser ampla, por cervicotomia, permitindo desbridamento de tecidos necróticos. A avaliação odontológica é essencial para identificar e tratar o foco primário da infecção. A mediastinoscopia seria considerada se houvesse evidência clara de extensão para o mediastino, mas a drenagem cervical é a prioridade inicial para o abscesso localizado.
Sinais de gravidade incluem febre alta, taquicardia, hipotensão, prostração, disfagia ou odinofagia intensa, dispneia, estridor, crepitação ou enfisema subcutâneo, e rápida progressão dos sintomas. O enfisema subcutâneo sugere infecção por germes produtores de gás ou necrose tecidual.
A drenagem cirúrgica é indicada para abscessos cervicais profundos, especialmente se grandes (>3-4 cm), multiloculados, com sinais de necrose tecidual (enfisema), ou se houver falha da antibioticoterapia. A cervicotomia ampla permite desbridamento adequado e controle da infecção.
Infecções odontogênicas são uma das causas mais comuns de infecções profundas de pescoço. A avaliação odontológica é crucial para identificar e tratar a fonte primária da infecção, prevenindo recorrências e garantindo a erradicação completa do processo infeccioso.
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