UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Mulher, 56 anos, foi submetida a transplante renal, por doença renal hipertensiva, há 20 dias. Está em imunossupressão com micofenolato, tacrolimus e metilprednisolona; antibioticoprofilaxia com sulfametoxazol e trimetoprim. Pode-se afirmar que, nesse período após transplante renal, a infecção mais comum é:
Pós-transplante renal (20 dias), imunossupressão: infecção urinária bacteriana é a mais comum.
No período inicial (primeiro mês) após transplante renal, a infecção mais comum é a urinária bacteriana, devido à manipulação cirúrgica e cateteres. A profilaxia com sulfametoxazol/trimetoprim visa prevenir infecções oportunistas como Pneumocystis jirovecii.
O transplante renal é um procedimento que melhora significativamente a qualidade de vida de pacientes com doença renal crônica terminal, mas exige um regime de imunossupressão contínuo para prevenir a rejeição do enxerto. Essa imunossupressão, que no caso inclui micofenolato, tacrolimus e metilprednisolona, torna o paciente altamente suscetível a infecções. A compreensão do perfil epidemiológico das infecções pós-transplante é crucial para o manejo clínico. No período inicial após o transplante renal, geralmente nos primeiros 30 dias, as infecções mais comuns são de origem bacteriana, particularmente as infecções do trato urinário (ITU). Isso se deve à manipulação cirúrgica, ao uso de cateteres urinários (sonda vesical, cateter duplo J), à estase urinária e à própria imunossupressão. A profilaxia com sulfametoxazol e trimetoprim é comumente utilizada, mas seu principal alvo é a prevenção de infecções oportunistas como a pneumonia por Pneumocystis jirovecii, embora também tenha alguma atividade contra bactérias urinárias. Outras infecções oportunistas, como a reativação de citomegalovírus (CMV) ou pneumonia por Aspergillus sp., são mais características de períodos subsequentes (geralmente entre o 1º e o 6º mês para CMV, e mais tardiamente para fungos invasivos, ou em casos de imunossupressão mais intensa). Portanto, no cenário de 20 dias pós-transplante, a infecção urinária bacteriana deve ser a principal suspeita e a mais comum a ser prevenida e tratada.
Fatores de risco incluem manipulação cirúrgica, uso de cateteres urinários, estase urinária, disfunção vesical, diabetes, sexo feminino e o próprio regime imunossupressor que compromete a resposta imune.
A profilaxia com sulfametoxazol/trimetoprim é amplamente utilizada para prevenir infecções por Pneumocystis jirovecii (PCP), uma infecção oportunista grave em pacientes imunossuprimidos, e também oferece alguma proteção contra infecções urinárias bacterianas.
As infecções por CMV são mais comuns em um período um pouco mais tardio, geralmente entre o primeiro e o sexto mês pós-transplante, embora possam ocorrer a qualquer momento, especialmente em pacientes de alto risco (doador positivo/receptor negativo).
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