AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Uma creche na cidade de Maringá apresenta um surto do parvovirose com nove crianças doentes. A creche apresenta duas trabalhadoras gestantes assintomáticas. Sobre a parvovirose, assinale a única resposta correta.
Gestante exposta a Parvovírus B19 → Solicitar sorologia (IgM e IgG) para avaliar status imune e risco de infecção fetal (anemia/hidropsia).
O diagnóstico da infecção por Parvovírus B19 é sorológico, com IgM indicando infecção recente e IgG indicando imunidade. Em gestantes expostas, a sorologia é fundamental, pois a infecção aguda pode levar a complicações fetais graves como anemia e hidropsia fetal.
O Parvovírus B19 é o agente etiológico do eritema infeccioso (ou 'quinta doença'), uma infecção comum na infância. Em adultos e gestantes, a infecção pode ser assintomática ou se manifestar com febre, artralgia e rash. A infecção durante a gestação é uma preocupação devido ao risco de transmissão vertical e complicações fetais. Cerca de 50-60% das mulheres em idade fértil são imunes (IgG positivo), mas as suscetíveis, especialmente aquelas com alta exposição como professoras e cuidadoras, estão em risco. O diagnóstico de infecção aguda materna é feito pela detecção de anticorpos IgM específicos no soro, que surgem cerca de 10-14 dias após a exposição. A presença de IgG sem IgM indica infecção passada e imunidade. O principal risco da infecção na gestação é o tropismo do vírus pelos precursores eritroides fetais, o que pode causar uma crise aplástica, levando a anemia fetal grave, insuficiência cardíaca de alto débito e hidropsia fetal não imune. O risco de perda fetal é maior quando a infecção ocorre no segundo trimestre. O manejo de uma gestante com infecção aguda por Parvovírus B19 envolve o monitoramento fetal seriado com ultrassonografia. O principal marcador para rastreio de anemia fetal é a medida da velocidade de pico sistólico da artéria cerebral média (VPS-ACM). Se a anemia fetal grave for detectada, a transfusão sanguínea intrauterina é o tratamento de escolha e pode ser curativa, revertendo a hidropsia e melhorando o prognóstico.
Os principais sinais ultrassonográficos de infecção fetal são relacionados à anemia grave. Eles incluem hidropsia fetal (acúmulo de líquido em ≥ 2 compartimentos), cardiomegalia, e aumento da velocidade do pico sistólico da artéria cerebral média (VPS-ACM), que é um marcador sensível de anemia fetal.
A gestante deve ser orientada sobre os sintomas e repetir a sorologia em 3-4 semanas para detectar uma possível soroconversão. Durante este período, o acompanhamento ultrassonográfico seriado para avaliar sinais de anemia fetal (como a medida da VPS-ACM) pode ser considerado.
O tratamento para a anemia fetal grave e hidropsia é a transfusão intrauterina de concentrado de hemácias, geralmente por cordocentese. Este procedimento pode reverter a anemia e a hidropsia, melhorando significativamente o prognóstico fetal.
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