Infecção por Mordida de Cão: Capnocytophaga canimorsus e Sepse

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 38 anos de idade, com freqüentes admissões no hospital relacionadas com alcoolismo, vem à sala de emergência depois de ser mordida por um cachorro. Há feridas abertas nos seus braços e na mão direita que são purulentas e têm margens necróticas. Ela está hipotensa e é admitida na unidade de terapia intensiva. Constata-se que ela tem coagulação intravascular disseminada e logo desenvolve falência de múltiplos órgãos. Qual dos seguintes organismos mais provavelmente causou seu declínio rápido?

Alternativas

  1. A) Aeromonas sp;
  2. B) Capnocytopliaga sp;
  3. C) Eikenello sp;
  4. D) Haemophilus sp;
  5. E) Staphylococcus sp;

Pérola Clínica

Mordida de cachorro + alcoolismo/imunossupressão + sepse fulminante = suspeitar de Capnocytophaga canimorsus.

Resumo-Chave

Capnocytophaga canimorsus, um patógeno comum na boca de cães, pode causar sepse fulminante, CID e falência de múltiplos órgãos em pacientes imunocomprometidos, como alcoólatras crônicos ou asplênicos, após mordida de cachorro.

Contexto Educacional

As mordidas de animais, especialmente de cães, são uma causa comum de lesões e infecções, com um espectro de gravidade que varia de lesões superficiais a infecções sistêmicas fulminantes. A identificação do patógeno e o manejo adequado são cruciais, especialmente em pacientes com fatores de risco para imunossupressão, como o alcoolismo crônico. Capnocytophaga canimorsus é um bacilo gram-negativo fastidioso, parte da flora oral normal de cães e gatos. Embora infecções sejam raras, em indivíduos imunocomprometidos (como asplênicos, alcoólatras, ou pacientes em uso de imunossupressores), pode causar uma doença invasiva grave, incluindo sepse fulminante, coagulação intravascular disseminada (CID), meningite, endocardite e falência de múltiplos órgãos. A apresentação clínica é de rápida progressão, com choque e necrose tecidual. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo com antibióticos são essenciais. A antibioticoterapia empírica para mordidas de animais deve cobrir Capnocytophaga canimorsus (sensível a penicilinas, cefalosporinas de terceira geração, carbapenêmicos) e outros patógenos comuns, como Pasteurella multocida e estafilococos. A profilaxia pós-exposição e a vacinação antitetânica e antirrábica também são considerações importantes.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco aumentam a gravidade da infecção por mordida de cachorro?

Fatores de risco incluem imunossupressão (alcoolismo, asplenia, uso de corticosteroides), feridas profundas ou múltiplas, localização da mordida (mãos, face) e atraso no tratamento.

Por que Capnocytophaga canimorsus é particularmente perigosa em alcoólatras?

Alcoólatras crônicos frequentemente têm asplenia funcional ou outras formas de imunossupressão, o que os torna altamente suscetíveis à infecção fulminante por Capnocytophaga canimorsus, um bacilo gram-negativo que pode levar rapidamente a sepse, CID e falência de múltiplos órgãos.

Qual o tratamento inicial para infecções graves por mordida de cachorro?

O tratamento inicial envolve limpeza rigorosa da ferida, desbridamento se necessário, e antibioticoterapia empírica de amplo espectro que cubra Capnocytophaga canimorsus e outros patógenos comuns, como amoxicilina-clavulanato ou piperacilina-tazobactam.

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