FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023
Luciana tem 26 anos, menarca aos 12 anos, multiplicidade de parceiros com queixa de prurido e lesões verrucosas na vulva. Ao exame ginecológico seu médico identifica múltiplas lesões verrucosas na vulva e seu preventivo realizado há 2 meses demonstra células escamosas atípicas (ASC) com coilocitose. A videocolposcopia visibiliza lesões acetobrancas e iodo negativas. De acordo com o quadro clínico e considerando a etiopatogenia da doença, marque a alternativa correta, quanto ao diagnóstico clínico e tratamento.I. O quadro clínico sugere ser uma IST causada pelo HPV, sendo as lesões vulvares causadas mais frequentemente pelos tipos 6 e 11 e as lesões no colo os HPVs 16 e 18. O tratamento dependerá do diagnóstico histopatológico.II. As evidências atuais demonstram que a maioria dos pacientes infectados pelo HPV que promovem o NIC 1, regride espontaneamente.III. HPV é um DNA vírus que se reprodução obrigatoriamente intracelular. Possui as regiões: precoce (early = genes E), tardia (late= genes L) e região regulatória contracorrente (URR). Os genes L codificam as proteínas do capsídeo viral e os genes E codificam as proteínas com funções reguladoras da atividade celular, destacando-se as oncoproteínas E6 e E7, que interferem com a função dos genes celulares supressores de tumores p53 e pRB.IV. A infecção clínica que se traduz pela presença do condiloma deve ser tratada de acordo com o tamanho e número de lesões. Os tipos de tratamento mais utilizados são com ácido tricloroacético a 70-80% para lesões pequenas. Lesões múltiplas ou "volumosas" deve ser tratada cirurgicamente.
HPV: DNA vírus, E6/E7 oncoproteínas, NIC 1 regressão espontânea, condiloma → ATC ou cirurgia.
A infecção por HPV é uma IST comum, com tipos de baixo risco (6, 11) causando condilomas e de alto risco (16, 18) associados a lesões cervicais e oncoproteínas E6/E7. NIC 1 frequentemente regride espontaneamente, e o tratamento de condilomas varia conforme tamanho e número.
A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) é a Infecção Sexualmente Transmissível (IST) viral mais comum, com um espectro clínico que varia desde lesões verrucosas benignas (condilomas acuminados) até lesões pré-cancerígenas e câncer. Os tipos de HPV são classificados em baixo risco (ex: 6 e 11, associados a condilomas) e alto risco (ex: 16 e 18, associados a neoplasias intraepiteliais e câncer cervical). A presença de células escamosas atípicas (ASC) com coilocitose no preventivo é um forte indicativo de infecção por HPV. A fisiopatologia da infecção por HPV envolve a replicação viral intracelular e a expressão de genes precoces (E) e tardios (L). As oncoproteínas E6 e E7, codificadas pelos genes E dos HPVs de alto risco, são cruciais na carcinogênese, pois inativam as proteínas supressoras de tumor p53 e pRB, respectivamente, levando à proliferação celular descontrolada. É importante ressaltar que a maioria das infecções por HPV, especialmente as que causam NIC 1, regride espontaneamente, tornando a conduta expectante uma opção válida para muitas pacientes. O tratamento das lesões por HPV deve ser individualizado. Para condilomas acuminados, opções incluem ácido tricloroacético para lesões pequenas, ou métodos cirúrgicos como excisão, eletrocauterização ou laser para lesões maiores ou múltiplas. Para lesões cervicais, a conduta dependerá do grau da lesão e do diagnóstico histopatológico, com acompanhamento para NIC 1 e tratamento excisional para lesões de alto grau. A vacinação contra o HPV é a principal estratégia de prevenção.
Os tipos 6 e 11 são mais frequentemente associados a condilomas (lesões verrucosas). Os tipos 16 e 18 são os principais responsáveis por lesões de alto grau e câncer cervical.
As oncoproteínas E6 e E7 do HPV de alto risco interferem com as proteínas supressoras de tumor p53 e pRB, respectivamente, desregulando o ciclo celular e promovendo a proliferação celular e a imortalização.
O tratamento do condiloma depende do tamanho e número das lesões, podendo incluir ácido tricloroacético para lesões pequenas ou excisão cirúrgica para lesões maiores. Para NIC 1, a conduta mais comum é expectante, devido à alta taxa de regressão espontânea.
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