SMS Foz do Iguaçu - Secretaria Municipal de Saúde (PR) — Prova 2025
Leia o trecho abaixo: Paciente de 70 anos, internado por pneumonia comunitária grave, recebe levofloxacino intravenoso. Após 48 horas, apresenta quadro de diarreia aquosa volumosa, dor abdominal difusa e sinais de desidratação. O exame físico revela abdome doloroso à palpação, sem sinais de peritonite. Os exames laboratoriais mostram leucocitose evidente, hipoalbuminemia e acidose metabólica leve. Considerando o histórico e os achados clínico-laboratoriais, assinale a alternativa que descreve a principal suspeita diagnóstica.
Diarreia grave pós-antibiótico (fluoroquinolona), leucocitose e hipoalbuminemia em idoso → suspeitar de infecção por Clostridioides difficile.
A infecção por Clostridioides difficile (ICD) deve ser fortemente suspeitada em pacientes com diarreia de início recente após uso de antibióticos, especialmente fluoroquinolonas, cefalosporinas e clindamicina. Achados como leucocitose, hipoalbuminemia e acidose metabólica indicam gravidade e a possibilidade de colite pseudomembranosa.
A infecção por Clostridioides difficile (ICD), anteriormente conhecida como Clostridium difficile, é uma das principais causas de diarreia nosocomial e associada ao uso de antibióticos. É uma condição de crescente importância clínica, com incidência e gravidade em ascensão, especialmente em populações vulneráveis como idosos e pacientes imunocomprometidos. A bactéria produz toxinas que causam inflamação e dano à mucosa colônica, variando de diarreia leve a colite pseudomembranosa grave e megacólon tóxico. A fisiopatologia da ICD envolve a disrupção da microbiota intestinal normal pelo uso de antibióticos, permitindo a proliferação do C. difficile e a produção de suas toxinas. O quadro clínico típico inclui diarreia aquosa, dor abdominal, febre e leucocitose. Em casos graves, pode haver desidratação, hipoalbuminemia, acidose metabólica e sinais de peritonite. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas ou do DNA do C. difficile nas fezes. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente com diarreia de início recente após exposição a antibióticos. O tratamento da ICD envolve a suspensão do antibiótico precipitante, se possível, e o início de terapia específica com vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos graves ou complicados, metronidazol intravenoso pode ser adicionado, e a cirurgia (colectomia) pode ser necessária para megacólon tóxico ou peritonite. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos e medidas rigorosas de controle de infecção para evitar a transmissão hospitalar.
Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente fluoroquinolonas, clindamicina, cefalosporinas), idade avançada, internação hospitalar prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.
Sinais de gravidade incluem leucocitose >15.000 células/mm³, creatinina sérica >1,5 vezes o valor basal, hipoalbuminemia, sinais de desidratação, dor abdominal intensa, febre e evidência de megacólon tóxico ou peritonite.
O diagnóstico é feito pela detecção de toxinas A/B ou do gene da toxina (PCR) em amostras de fezes. Testes rápidos para glutamato desidrogenase (GDH) podem ser usados como triagem, mas requerem confirmação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo