Clostridioides Difficile: Diagnóstico e Manejo da Colite

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015

Enunciado

Paciente, 50 anos, epiléptico, há um mês em tratamento hospitalar por abscesso pulmonar. Evoluiu com febre, dor abdominal e diarreia aquosa, fétida, cerca de 10 evacuações por dia, sem sangue ou muco, que perdurou por três dias. Passou então a apresentar distensão abdominal, queda do estado geral e toxemia. Houve piora do leucograma que chegou a 20.000/mm³. Nesse contexto, o achado laboratorial mais adequado para confirmar a principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Teste de lactoferrina em amostra fecal.
  2. B) Teste de citotoxina em coprocultura.
  3. C) Pesquisa de trofozoítos em amostra fecal.
  4. D) Pesquisa de leucócitos em amostra fecal.

Pérola Clínica

Diarreia grave pós-antibiótico em paciente hospitalizado com toxemia e leucocitose → suspeitar de *Clostridioides difficile*. Diagnóstico = pesquisa de toxinas A/B.

Resumo-Chave

O quadro clínico de diarreia aquosa, fétida, com distensão abdominal, toxemia e leucocitose em um paciente hospitalizado e em uso prolongado de antibióticos é altamente sugestivo de infecção por *Clostridioides difficile* (CDI), que pode evoluir para colite pseudomembranosa. O diagnóstico confirmatório mais adequado é a pesquisa das toxinas A e B de *C. difficile* nas fezes.

Contexto Educacional

A infecção por *Clostridioides difficile* (anteriormente *Clostridium difficile*), ou CDI, é uma das principais causas de diarreia associada a cuidados de saúde e colite pseudomembranosa. É particularmente prevalente em pacientes hospitalizados, idosos e aqueles em uso prolongado de antibióticos, que alteram a microbiota intestinal normal e permitem a proliferação do *C. difficile*. O quadro clínico varia de diarreia leve a colite fulminante, com distensão abdominal, dor, febre, leucocitose e toxemia. A fisiopatologia da CDI envolve a produção de toxinas (principalmente toxinas A e B) pelo *C. difficile*, que causam dano à mucosa intestinal, inflamação e diarreia. O diagnóstico é crucial para o manejo adequado e controle da infecção. Embora a pesquisa de leucócitos ou lactoferrina fecal possa indicar inflamação, o teste mais específico e sensível para confirmar a CDI é a detecção das toxinas A e B nas fezes, ou a detecção do gene da toxina via PCR. O tratamento da CDI geralmente envolve a suspensão do antibiótico causador (se possível) e o uso de antibióticos específicos, como vancomicina oral ou fidaxomicina. O reconhecimento precoce dos sintomas e o diagnóstico laboratorial preciso são fundamentais para instituir o tratamento adequado, prevenir complicações graves como megacólon tóxico e reduzir a transmissão hospitalar.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para infecção por Clostridioides difficile?

Os principais fatores de risco para infecção por *Clostridioides difficile* incluem uso de antibióticos de amplo espectro, internação hospitalar prolongada, idade avançada, comorbidades graves e uso de inibidores de bomba de prótons.

Qual o teste laboratorial mais adequado para diagnosticar Clostridioides difficile?

O teste laboratorial mais adequado para diagnosticar a infecção por *Clostridioides difficile* é a detecção das toxinas A e B nas fezes, ou a detecção do gene da toxina via PCR, que são altamente específicos para a doença.

Como diferenciar a diarreia por C. difficile de outras causas de diarreia hospitalar?

A diarreia por *C. difficile* deve ser suspeitada em pacientes hospitalizados com diarreia aquosa, fétida, dor abdominal, febre e leucocitose, especialmente após uso de antibióticos. O diagnóstico é confirmado pela pesquisa das toxinas nas fezes.

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