SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Paciente, 50 anos, epiléptico, há um mês em tratamento hospitalar por abscesso pulmonar. Evoluiu com febre, dor abdominal e diarreia aquosa, fétida, cerca de 10 evacuações por dia, sem sangue ou muco, que perdurou por três dias. Passou então a apresentar distensão abdominal, queda do estado geral e toxemia. Houve piora do leucograma que chegou a 20.000/mm³. Nesse contexto, o achado laboratorial mais adequado para confirmar a principal hipótese diagnóstica é:
Diarreia grave pós-antibiótico em paciente hospitalizado com toxemia e leucocitose → suspeitar de *Clostridioides difficile*. Diagnóstico = pesquisa de toxinas A/B.
O quadro clínico de diarreia aquosa, fétida, com distensão abdominal, toxemia e leucocitose em um paciente hospitalizado e em uso prolongado de antibióticos é altamente sugestivo de infecção por *Clostridioides difficile* (CDI), que pode evoluir para colite pseudomembranosa. O diagnóstico confirmatório mais adequado é a pesquisa das toxinas A e B de *C. difficile* nas fezes.
A infecção por *Clostridioides difficile* (anteriormente *Clostridium difficile*), ou CDI, é uma das principais causas de diarreia associada a cuidados de saúde e colite pseudomembranosa. É particularmente prevalente em pacientes hospitalizados, idosos e aqueles em uso prolongado de antibióticos, que alteram a microbiota intestinal normal e permitem a proliferação do *C. difficile*. O quadro clínico varia de diarreia leve a colite fulminante, com distensão abdominal, dor, febre, leucocitose e toxemia. A fisiopatologia da CDI envolve a produção de toxinas (principalmente toxinas A e B) pelo *C. difficile*, que causam dano à mucosa intestinal, inflamação e diarreia. O diagnóstico é crucial para o manejo adequado e controle da infecção. Embora a pesquisa de leucócitos ou lactoferrina fecal possa indicar inflamação, o teste mais específico e sensível para confirmar a CDI é a detecção das toxinas A e B nas fezes, ou a detecção do gene da toxina via PCR. O tratamento da CDI geralmente envolve a suspensão do antibiótico causador (se possível) e o uso de antibióticos específicos, como vancomicina oral ou fidaxomicina. O reconhecimento precoce dos sintomas e o diagnóstico laboratorial preciso são fundamentais para instituir o tratamento adequado, prevenir complicações graves como megacólon tóxico e reduzir a transmissão hospitalar.
Os principais fatores de risco para infecção por *Clostridioides difficile* incluem uso de antibióticos de amplo espectro, internação hospitalar prolongada, idade avançada, comorbidades graves e uso de inibidores de bomba de prótons.
O teste laboratorial mais adequado para diagnosticar a infecção por *Clostridioides difficile* é a detecção das toxinas A e B nas fezes, ou a detecção do gene da toxina via PCR, que são altamente específicos para a doença.
A diarreia por *C. difficile* deve ser suspeitada em pacientes hospitalizados com diarreia aquosa, fétida, dor abdominal, febre e leucocitose, especialmente após uso de antibióticos. O diagnóstico é confirmado pela pesquisa das toxinas nas fezes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo