Diarreia por Clostridioides difficile: Diagnóstico e Manejo

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 67 anos de idade foi internada devido à celulite de membro inferior direito. Está recebendo clindamicina e rocefin. No quinto dia de internação, iniciou diarreia profusa e febre. Realizou‑se teste rápido para Clostridium positivo e testes para toxina A e B também positivos. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.

Alternativas

  1. A) isolamento de contato, lavar as mãos com álcool em gel antes e após examinar a paciente e início de antibioticoterapia com vancomicina, via oral
  2. B) isolamento de contato, lavar as mãos com água e sabão antes e após examinar a paciente e início de antibioticoterapia com vancomicina, via oral
  3. C) isolamento de contato, lavar as mãos com álcool em gel antes e após examinar a paciente e início de antibioticoterapia com albendazol, via oral
  4. D) isolamento de contato, lavar as mãos com álcool em gel antes e após examinar a paciente e início de antibioticoterapia com ciprofloxacino, via oral
  5. E) isolamento dispensável, tratamento com metronidazol, via oral, e higiene com água e sabão antes e após examinar a paciente

Pérola Clínica

CDI (toxinas +) → Isolamento de contato, lavar mãos com água e sabão, Vancomicina oral.

Resumo-Chave

A infecção por Clostridioides difficile (CDI) é uma complicação comum do uso de antibióticos, como clindamicina e cefalosporinas (rocefin). O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas A e B. A conduta inclui isolamento de contato, higiene das mãos com água e sabão (álcool em gel não é esporicida) e tratamento com vancomicina oral.

Contexto Educacional

A infecção por Clostridioides difficile (CDI), anteriormente conhecida como Clostridium difficile, é uma causa comum de diarreia associada a antibióticos e uma importante infecção nosocomial. O agente etiológico, Clostridioides difficile, é uma bactéria anaeróbia gram-positiva que forma esporos e produz toxinas (A e B) que causam inflamação e dano à mucosa colônica, levando a quadros que variam de diarreia leve a colite pseudomembranosa fulminante. A epidemiologia da CDI está fortemente ligada ao uso de antibióticos que alteram a microbiota intestinal normal, permitindo a proliferação do C. difficile. O diagnóstico da CDI é estabelecido pela presença de diarreia (três ou mais evacuações não formadas em 24 horas) e a detecção das toxinas A e/ou B do Clostridioides difficile em amostras de fezes por métodos como ELISA ou PCR. É crucial diferenciar a colonização assintomática da infecção ativa. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes hospitalizados ou com histórico recente de uso de antibióticos que desenvolvem diarreia. O tratamento da CDI envolve a interrupção do antibiótico precipitante, se clinicamente viável, e o início da terapia antimicrobiana específica. Para casos leves a moderados, o metronidazol oral pode ser uma opção, mas para casos moderados a graves, ou na presença de toxinas, a vancomicina oral é a droga de escolha. Medidas de controle de infecção, como isolamento de contato e rigorosa higiene das mãos com água e sabão (devido à resistência dos esporos ao álcool em gel), são essenciais para prevenir a disseminação hospitalar. A glutamina não é um tratamento para CDI.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para infecção por Clostridioides difficile?

Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas e penicilinas), idade avançada, hospitalização prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de CDI?

A conduta inicial envolve a suspensão do antibiótico causador (se possível), isolamento de contato, higiene das mãos com água e sabão e coleta de amostra de fezes para pesquisa de toxinas A e B de Clostridioides difficile.

Por que a vancomicina oral é preferida ao metronidazol em casos de CDI grave?

A vancomicina oral atinge concentrações mais altas no cólon e é mais eficaz na erradicação do Clostridioides difficile, especialmente em casos de infecção grave ou refratária, onde o metronidazol oral pode ter eficácia limitada.

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