SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021
No tratamento de uma mulher de 50 anos, internada com quadro respiratório agudo, foi iniciado ceftriaxone associado com azitromicina. No sexto dia do tratamento, ela apresentou diarreia (4 a 5 evacuações por dia), com muco e pus, mas sem sangue. Houve suspeita clínica de diarreia pelo Clostridium difficile. Sobre essa doença, é correto afirmar que:
Presença de C. difficile nas fezes não = doença; a doença é definida pela presença de toxinas A/B em pacientes sintomáticos.
A bactéria *Clostridioides difficile* pode colonizar o trato gastrointestinal de indivíduos assintomáticos, especialmente em ambientes hospitalares. O diagnóstico de doença por *C. difficile* (CDI) requer a detecção das toxinas A e/ou B nas fezes de um paciente com diarreia e fatores de risco, como uso recente de antibióticos, e não apenas a presença da bactéria.
A diarreia associada a *Clostridioides difficile* (CDI), anteriormente conhecida como *Clostridium difficile*, é uma das infecções nosocomiais mais comuns e uma causa significativa de morbidade e mortalidade, especialmente em pacientes hospitalizados e idosos. A bactéria é um bacilo gram-positivo anaeróbio que produz toxinas (A e B) responsáveis pela patogênese da doença, que varia de diarreia leve a colite pseudomembranosa grave e megacólon tóxico. A principal causa da CDI é a disrupção da microbiota intestinal normal pelo uso de antibióticos de amplo espectro, permitindo a proliferação do *C. difficile*. No entanto, a simples presença da bactéria ou de seu DNA nas fezes não significa doença clínica. Muitos indivíduos, especialmente em ambientes hospitalares, podem ser portadores assintomáticos colonizados pela bactéria. O diagnóstico de CDI requer a presença de diarreia (≥3 evacuações não formadas em 24 horas) E a detecção de toxinas A e/ou B nas fezes. O tratamento da CDI envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o início de terapia específica com vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos graves ou refratários, pode ser considerada a terapia com transplante de microbiota fecal. É crucial a diferenciação entre colonização e infecção para evitar tratamentos desnecessários e o uso inadequado de antibióticos, que pode levar à resistência e a novos episódios de CDI.
O diagnóstico laboratorial da infecção por *C. difficile* é feito pela detecção das toxinas A e/ou B nas fezes de pacientes com diarreia, geralmente utilizando ensaios imunoenzimáticos (EIA) ou testes moleculares que detectam o gene da toxina.
Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos de amplo espectro (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), hospitalização prolongada, idade avançada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.
A presença de pseudomembranas no cólon é patognomônica da colite pseudomembranosa, a forma mais grave da infecção por *C. difficile*. No entanto, sua ausência não exclui o diagnóstico, e a endoscopia não é o exame de primeira linha para o diagnóstico.
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