HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2022
Mulher, 68 anos, internada em UTI há 32 dias devido quadro de pneumonia comunitária, em uso de ceftriaxone e claritromicina, desenvolve pneumonia hospitalar com hemocultura positiva para Acinetobacter baumanii, necessitando escalonar Antibioticoterapia para Meropenem e Polimixina. No trigésimo quinto dia de internação inicia quadro de diarreia esverdeada com 6 evacuações por dia. Diante da principal hipótese diagnóstica, qual a droga de escolha para o tratamento da atual condição?
Diarreia em paciente hospitalizado com uso prolongado de ATB → suspeitar *Clostridioides difficile* → tratar com Vancomicina oral.
A diarreia em paciente idoso, internado em UTI por tempo prolongado e em uso de múltiplos antibióticos de amplo espectro (ceftriaxona, claritromicina, meropenem, polimixina), é altamente sugestiva de infecção por *Clostridioides difficile*. A Vancomicina oral é a droga de escolha para o tratamento de infecções por *C. difficile*, especialmente em casos moderados a graves.
A infecção por *Clostridioides difficile* (ICD), anteriormente conhecida como *Clostridium difficile*, é a causa mais comum de diarreia associada a antibióticos e de colite infecciosa em ambientes hospitalares. É uma preocupação significativa em pacientes idosos, imunocomprometidos e aqueles com internações prolongadas, especialmente em unidades de terapia intensiva, devido à exposição a múltiplos antibióticos que alteram a microbiota intestinal normal. O quadro clínico típico envolve diarreia aquosa, que pode variar de leve a grave, com dor abdominal, febre e leucocitose. Em casos mais graves, pode evoluir para colite pseudomembranosa, megacólon tóxico e perfuração intestinal. O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A e B de *C. difficile* nas fezes, ou pela detecção do gene da toxina por PCR. O tratamento de escolha para a ICD é a Vancomicina oral, devido à sua alta eficácia e à sua ação local no trato gastrointestinal. O Metronidazol oral pode ser uma alternativa para casos leves, mas é menos eficaz que a Vancomicina. Em casos graves ou refratários, outras opções como o Fidaxomicina ou transplante de microbiota fecal podem ser consideradas. A suspensão do antibiótico causador, se possível, é uma medida adjuvante crucial.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, internação hospitalar prolongada, uso recente ou prolongado de antibióticos de amplo espectro (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.
A Vancomicina oral é a droga de escolha porque atinge altas concentrações no lúmen intestinal, onde a bactéria *Clostridioides difficile* atua, sem ser significativamente absorvida sistemicamente, minimizando efeitos adversos sistêmicos.
O Metronidazol oral pode ser considerado para casos leves de infecção por *C. difficile*, mas a Vancomicina oral é superior para casos moderados a graves e para pacientes com falha ao Metronidazol. Em casos fulminantes, pode-se usar Vancomicina oral e intravenosa com Metronidazol intravenoso.
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