Diarreia Pós-Antibiótico: Diagnóstico de C. difficile

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 50 anos vai ao departamento de emergência com queixa de diarreia aquosa. Refere perda ocasional de sangue nas fezes, porém a maior parte das evacuações são semilíquidas e aquosas. Esteve internada por infecção do trato urinário há 2 semanas e teve alta com ampicilina oral por 4 dias. Apresenta-se em BEG, levemente desidratada, febril e com leucocitose. Abdômen doloroso difusamente. Qual o próximo passo mais apropriado neste momento?

Alternativas

  1. A) Solicitar colonoscopia
  2. B) Alta hospitalar com azitromicina
  3. C) Realizar rastreio para HIV
  4. D) Coletar amostra de fezes para pesquisa de toxina A e B para Clostridium difficile
  5. E) Coletar amostra de fezes e pedir cultura para E. coli O157:H7

Pérola Clínica

Diarreia pós-ATB + febre + leucocitose → Suspeitar C. difficile; pesquisar toxinas A/B nas fezes.

Resumo-Chave

A história de uso recente de antibióticos (ampicilina) em paciente com diarreia aquosa, febre e leucocitose é altamente sugestiva de infecção por Clostridioides difficile. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas A e B nas fezes, sendo o próximo passo mais apropriado.

Contexto Educacional

A infecção por Clostridioides difficile (ICD) é uma causa comum de diarreia associada a antibióticos e uma preocupação significativa em ambientes hospitalares. É causada pela proliferação de C. difficile no cólon após a disrupção da microbiota intestinal normal por antibióticos, levando à produção de toxinas que causam inflamação e diarreia. A incidência e a gravidade da ICD têm aumentado, tornando seu reconhecimento e manejo essenciais para residentes. O diagnóstico da ICD baseia-se na suspeita clínica, especialmente em pacientes com diarreia e histórico de uso recente de antibióticos, hospitalização ou idade avançada. A confirmação laboratorial é feita pela detecção das toxinas A e B de C. difficile nas fezes, ou pela identificação do gene da toxina (PCR). Outros achados como leucocitose e dor abdominal difusa reforçam a suspeita. A colonoscopia não é o exame de primeira linha, sendo reservada para casos atípicos ou complicações. O tratamento da ICD varia conforme a gravidade, mas geralmente envolve a suspensão do antibiótico causador (se possível) e o uso de metronidazol ou vancomicina oral. Em casos graves ou refratários, outras opções como fidaxomicina ou transplante de microbiota fecal podem ser consideradas. A prevenção da transmissão nosocomial através de higiene das mãos e isolamento de contato é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para infecção por Clostridioides difficile?

Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), idade avançada, hospitalização prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.

Qual a importância da pesquisa de toxinas A e B para o diagnóstico de C. difficile?

A pesquisa das toxinas A e B é crucial porque são as toxinas que causam a patologia da colite pseudomembranosa. Sua detecção nas fezes confirma a presença de uma cepa toxigênica e ativa da bactéria, guiando o tratamento adequado.

Quando se deve suspeitar de infecção por Clostridioides difficile?

Deve-se suspeitar em qualquer paciente que desenvolva diarreia (geralmente aquosa, mas pode ter sangue) durante ou até 3 meses após o uso de antibióticos, especialmente se houver febre, dor abdominal, leucocitose e desidratação.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo