IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2021
Homem de 75 anos com pneumonia foi internado e recebeu amoxicilina-clavulanato e omeprazol, com boa resposta. No quinto dia de internação, apresenta febre, inapetência, dor abdominal em cólica e diarreia, com eliminação de fezes líquidas e muco. Os episódios de diarreia estão aumentando e o paciente precisou de hidratação intravenosa. Exame físico: sinais vitais normais, hipertimpanismo abdominal. Hemograma: 12000 leucócitos/mm3. Raio x de abdome: discreta distensão do cólon. Coprocultura: ausência de germes patogênicos. O tratamento é:
Diarreia após ATB + febre + dor abdominal + leucocitose → suspeitar C. difficile; tratar com metronidazol oral.
O quadro clínico de diarreia, febre, dor abdominal e leucocitose em paciente idoso, internado e em uso recente de antibióticos (amoxicilina-clavulanato), com coprocultura negativa para outros patógenos, é altamente sugestivo de infecção por Clostridioides difficile. O tratamento de escolha para casos leves a moderados é metronidazol oral.
A infecção por Clostridioides difficile (anteriormente Clostridium difficile) é uma causa comum de diarreia associada a antibióticos e colite pseudomembranosa, especialmente em pacientes hospitalizados e idosos. A epidemiologia mostra um aumento na incidência e gravidade, tornando seu reconhecimento e manejo cruciais na prática clínica. A fisiopatologia envolve a disrupção da microbiota intestinal normal por antibióticos, permitindo a proliferação de C. difficile e a produção de toxinas que causam inflamação e diarreia. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com diarreia (≥3 evacuações não formadas em 24h) que tiveram uso recente de antibióticos ou internação, e confirmado pela detecção das toxinas ou do gene da toxina nas fezes. O tratamento depende da gravidade. Para casos leves a moderados, o metronidazol oral é a escolha inicial. Em casos graves ou refratários, a vancomicina oral ou fidaxomicina são preferidas. É fundamental descontinuar o antibiótico causador, se possível. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos e medidas de controle de infecção.
Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente de amplo espectro), idade avançada, internação hospitalar prolongada e uso de inibidores de bomba de prótons (IBP), que alteram a microbiota intestinal.
O diagnóstico é feito pela detecção de toxinas A e/ou B de C. difficile ou do gene da toxina (PCR) em amostras de fezes de pacientes com diarreia e suspeita clínica, após exclusão de outras causas.
Para casos leves a moderados, o tratamento de primeira linha é metronidazol oral. Em casos mais graves ou refratários, vancomicina oral ou fidaxomicina são opções consideradas, com base nas diretrizes atuais.
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