SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Homem, 56 anos de idade, em 7º dia de internação para tratamento de pneumonia, inicia quadro de diarreia com mais de 10 evacuações ao dia, presença de muco e pequena quantidade de sangue. Tem urgência, incontinência e tenesmo. Nega comorbidades prévias. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, com PA: 110x70mmHg, FC: 100bpm, FR: 13irpm, T. Axiliar: 37,7º C, descorado 1+/4, anictérico, acianótico. Ausculta cardíaca sem alterações, ausculta respiratória com estertores finos em base direita. Abdome levemente distendido, com ruídos hidroaéreos aumentados, doloroso à palpação difusamente. Solicitada coprocultura, em aguardo.Diante do quadro, indique dois exames laboratoriais que devem ser solicitados para confirmação diagnóstica.\n
Diarreia pós-antibiótico + leucocitose + dor abdominal → Pesquisar toxinas de C. difficile.
A infecção por C. difficile (CDI) deve ser suspeitada em pacientes hospitalizados com diarreia aguda após uso de antibióticos. O diagnóstico requer evidência de toxinas ou cepas toxigênicas nas fezes.
A colite por Clostridioides difficile é a principal causa de diarreia infecciosa em pacientes hospitalizados. A fisiopatologia envolve a disbiose da microbiota intestinal causada por antibióticos, permitindo a proliferação do patógeno e liberação de toxinas que causam inflamação mucosa e formação de pseudomembranas. Casos graves podem evoluir para megacólon tóxico, choque séptico e perfuração intestinal, exigindo vigilância rigorosa e isolamento de contato. O manejo clínico inclui a suspensão do antibiótico desencadeante, se possível, e o início imediato de terapia específica direcionada contra a bactéria anaeróbia gram-positiva.
O diagnóstico baseia-se em um algoritmo de dois passos. Geralmente inicia-se com o teste de Glutamato Desidrogenase (GDH), que é altamente sensível para triagem, seguido pelo teste de Toxinas A e B (altamente específico) para confirmar a doença ativa. Alternativamente, o teste de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT/PCR) para o gene da toxina pode ser utilizado para confirmar a presença de cepas toxigênicas em casos de discordância diagnóstica.
O uso prévio de antibióticos de amplo espectro (clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas) é o principal fator. Outros riscos incluem idade avançada (>65 anos), hospitalização prolongada, uso de inibidores de bomba de pótons (IBP) e imunossupressão. A transmissão ocorre via fecal-oral através de esporos resistentes ao álcool em gel, exigindo lavagem das mãos com água e sabão.
As diretrizes atuais recomendam preferencialmente a Fidaxomicina ou a Vancomicina oral como primeira linha para episódios iniciais (tanto não graves quanto graves). O Metronidazol oral é reservado apenas para casos não graves em ambientes com recursos limitados, devido à menor eficácia clínica comparada à vancomicina e maiores taxas de recorrência.
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