Sepse por Staphylococcus aureus: Diagnóstico e Tratamento

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Homem, 19a, procura unidade de Pronto Atendimento por dor em membro inferior direito há três semanas, após um chute na coxa direita jogando futebol. Há cinco dias a dor passou a ser acompanhada de inchaço progressivo, mudança da coloração da pele no local e febre com tremores. Exame físico: T= 39,5°C, PA= 90x60 mmHg, FC= 136 bpm, FR= 36irpm, perfusão periférica= 3 segundos; Pulmões: murmúrio vesicular presente e simétrico, presença de estertores crepitantes em base direita; Coração: bulhas rítmicas, hiperfonéticas, com sopro sistólico +++/4+ no foco pulmonar que irradia para a base do pescoço bilateralmente; Abdome: fígado palpável a 2cm do rebordo costal direito, consistência normal, borda fina e superfície lisa; baço palpável a 5cm do rebordo costal esquerdo, consistência normal, borda fina e superfície lisa. Membros: coxa direita com circunferência 5cm maior que a coxa esquerda, edema em sua face lateral e exantema circular de aproximadamente 15cm, de cor violácea no centro e amarelada em bordas planas e evanescentes; Pulsos: periféricos presentes e simétricos. APÓS REALIZAÇÃO DE EXAMES COMPLEMENTARES E DURANTE A ESTABILIZAÇÃO HEMODINÂMICA O ANTIBIÓTICO A SER INICIADO DEVERÁ INCLUIR COBERTURA PARA:

Alternativas

  1. A) Bacilos Gram negativos.
  2. B) Diplococos Gram negativos.
  3. C) Cocos Gram positivos.
  4. D) Bacilos Gram positivos.

Pérola Clínica

Trauma + infecção grave de partes moles + sepse/choque + sopro cardíaco → Cobrir Cocos Gram-positivos (S. aureus).

Resumo-Chave

O quadro clínico de infecção de partes moles após trauma, com rápida progressão para sepse grave/choque, febre alta, e sinais de embolia séptica (estertores pulmonares, sopro cardíaco novo/piorado, hepatoesplenomegalia) é altamente sugestivo de infecção por Staphylococcus aureus, incluindo MRSA, que requer cobertura empírica imediata.

Contexto Educacional

Infecções de partes moles, especialmente após trauma, podem evoluir rapidamente para quadros graves de sepse e choque séptico, com alta morbimortalidade. O reconhecimento precoce dos sinais de gravidade e a instituição de antibioticoterapia empírica adequada são cruciais. Em jovens, mesmo sem fatores de risco aparentes, infecções por Staphylococcus aureus são uma causa comum de bacteremia e suas complicações. O quadro clínico apresentado, com dor intensa, inchaço, febre alta, sinais de choque (hipotensão, taquicardia, taquipneia, hipoperfusão) e evidências de disseminação hematogênica (estertores crepitantes em pulmão, sopro cardíaco, hepatoesplenomegalia), é altamente sugestivo de uma infecção invasiva e sistêmica. A lesão cutânea violácea e edemaciada na coxa, após um trauma, pode indicar uma celulite necrotizante, miosite piogênica ou osteomielite, com bacteremia secundária. Diante de um quadro de sepse grave com foco em pele e partes moles, e sinais de embolia séptica (pulmonar e cardíaca), a principal etiologia a ser coberta empiricamente são os Cocos Gram-positivos, com ênfase no Staphylococcus aureus, incluindo cepas resistentes à meticilina (MRSA), devido à sua virulência e capacidade de causar infecções invasivas e endocardite. A antibioticoterapia inicial deve ser de amplo espectro e cobrir este patógeno, como vancomicina.

Perguntas Frequentes

Quais achados clínicos sugerem uma infecção grave por Staphylococcus aureus após trauma?

A presença de dor intensa, inchaço progressivo, alteração da coloração da pele (violácea), febre com tremores, e sinais de sepse (hipotensão, taquicardia, taquipneia, hipoperfusão) após um trauma, especialmente em um jovem, levantam forte suspeita de infecção grave por S. aureus, como celulite necrotizante ou miosite piogênica.

Por que a presença de sopro cardíaco e estertores pulmonares é relevante neste caso?

O sopro cardíaco novo ou piorado, juntamente com estertores pulmonares, sugere fortemente a ocorrência de embolia séptica ou endocardite infecciosa, complicações comuns de bacteremia por Staphylococcus aureus, especialmente em pacientes com infecções de partes moles ou osteomielite.

Qual a cobertura antibiótica empírica inicial para suspeita de sepse grave por Staphylococcus aureus?

Em casos de sepse grave com suspeita de Staphylococcus aureus, especialmente em infecções de pele e partes moles ou com sinais de endocardite, a cobertura empírica deve incluir um antibiótico com atividade contra S. aureus resistente à meticilina (MRSA), como vancomicina ou daptomicina, além de considerar cobertura para Gram-negativos se o foco não for claramente definido.

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