CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Dr. Marcos atende em uma comunidade isolada do interior do Amazonas. Um de seus comunitários, Sr. Miqueias, 35 anos, etilista crônico, iniciou quadro de tosse, febre noturna, sudorese e perda de aproximadamente 15kg nos últimos 2 meses. Foi solicitada baciloscopia para tuberculose que resultara positivo. Considerando os contatos próximos de Sr. Miquéias, a informação de que em todo o país há indisponibilidade por tempo indeterminado da prova tuberculínica e que não está disponível o exame Interferon Gamma Release Assay (IGRA), assinale a seguir qual dos contatos do paciente-índice deverá receber tratamento prioritário para infecção latente da tuberculose:
PVHA exposto a TB ativa → tratamento prioritário para ILTB, mesmo sem PPD/IGRA.
Em cenários de indisponibilidade de testes diagnósticos para ILTB, a priorização do tratamento preventivo é baseada no risco de progressão para doença ativa. Pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA) têm o maior risco de desenvolver tuberculose ativa após a infecção latente, tornando-os o grupo mais prioritário para quimioprofilaxia.
A Infecção Latente da Tuberculose (ILTB) representa um reservatório significativo para a doença ativa, sendo crucial sua identificação e tratamento para o controle epidemiológico. A priorização de grupos de risco para o tratamento da ILTB é uma estratégia fundamental em saúde pública, especialmente em regiões com alta carga de tuberculose e recursos limitados. A compreensão dos fatores que aumentam o risco de progressão da ILTB para a doença ativa é essencial para a prática clínica e para a formulação de políticas de saúde eficazes. A fisiopatologia da ILTB envolve a contenção do Mycobacterium tuberculosis pelo sistema imune, sem manifestação clínica da doença. No entanto, em indivíduos imunocomprometidos, como Pessoas Vivendo com HIV/aids (PVHA), essa contenção pode falhar, levando à reativação da infecção. O diagnóstico da ILTB é tradicionalmente feito pela Prova Tuberculínica (PPD) ou pelo Interferon Gamma Release Assay (IGRA). Contudo, em cenários de indisponibilidade desses exames, a avaliação clínica e epidemiológica dos contatos próximos de casos de tuberculose ativa torna-se o pilar para a decisão terapêutica, focando nos grupos de maior vulnerabilidade. O tratamento da ILTB visa prevenir a progressão para a doença ativa, utilizando esquemas com isoniazida ou rifampicina. A escolha do esquema e a duração do tratamento dependem de fatores como idade, comorbidades e perfil de resistência do bacilo. Para PVHA, o tratamento da ILTB é uma intervenção de alto impacto, reduzindo significativamente a morbimortalidade por tuberculose. A adesão ao tratamento e o monitoramento de efeitos adversos são cruciais para o sucesso da quimioprofilaxia, contribuindo para a redução da incidência da tuberculose na comunidade.
Os grupos de maior risco incluem pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA), crianças menores de 5 anos, imunossuprimidos (transplantados, em uso de anti-TNF), e pacientes com silicose ou insuficiência renal crônica em diálise. PVHA apresentam o risco mais elevado.
PVHA têm um risco 20 a 37 vezes maior de desenvolver tuberculose ativa após a infecção latente devido à imunossupressão. O tratamento da ILTB é crucial para prevenir a doença ativa, que pode ser grave e fatal neste grupo.
Na indisponibilidade de PPD e IGRA, a decisão de tratar a ILTB em contatos próximos de casos de TB ativa deve ser baseada na avaliação clínica e nos fatores de risco do contato, priorizando os grupos mais vulneráveis à progressão da doença, como PVHA e crianças pequenas.
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