ILTB em PVHA: Prioridade no Tratamento Preventivo

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025

Enunciado

Dr. Marcos atende em uma comunidade isolada do interior do Amazonas. Um de seus comunitários, Sr. Miqueias, 35 anos, etilista crônico, iniciou quadro de tosse, febre noturna, sudorese e perda de aproximadamente 15kg nos últimos 2 meses. Foi solicitada baciloscopia para tuberculose que resultara positivo. Considerando os contatos próximos de Sr. Miquéias, a informação de que em todo o país há indisponibilidade por tempo indeterminado da prova tuberculínica e que não está disponível o exame Interferon Gamma Release Assay (IGRA), assinale a seguir qual dos contatos do paciente-índice deverá receber tratamento prioritário para infecção latente da tuberculose:

Alternativas

  1. A) Maria, 65 anos, mãe, diabética e hipertensa, com tosse há 15 dias, radiografia de tórax suspeita.
  2. B) Sandreia, 15 anos, filha, sem comorbidades, assintomática, radiografia de tórax sem alterações.
  3. C) Malaquias, 24 anos, pessoa vivendo com HIV/aids (PVHA), assintomático, radiografia de tórax sem alterações.
  4. D) Sandra, 24 anos, esposa de Miquéias, gestante de 32 semanas, assintomática, não realizou radiografia de tórax.

Pérola Clínica

PVHA exposto a TB ativa → tratamento prioritário para ILTB, mesmo sem PPD/IGRA.

Resumo-Chave

Em cenários de indisponibilidade de testes diagnósticos para ILTB, a priorização do tratamento preventivo é baseada no risco de progressão para doença ativa. Pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA) têm o maior risco de desenvolver tuberculose ativa após a infecção latente, tornando-os o grupo mais prioritário para quimioprofilaxia.

Contexto Educacional

A Infecção Latente da Tuberculose (ILTB) representa um reservatório significativo para a doença ativa, sendo crucial sua identificação e tratamento para o controle epidemiológico. A priorização de grupos de risco para o tratamento da ILTB é uma estratégia fundamental em saúde pública, especialmente em regiões com alta carga de tuberculose e recursos limitados. A compreensão dos fatores que aumentam o risco de progressão da ILTB para a doença ativa é essencial para a prática clínica e para a formulação de políticas de saúde eficazes. A fisiopatologia da ILTB envolve a contenção do Mycobacterium tuberculosis pelo sistema imune, sem manifestação clínica da doença. No entanto, em indivíduos imunocomprometidos, como Pessoas Vivendo com HIV/aids (PVHA), essa contenção pode falhar, levando à reativação da infecção. O diagnóstico da ILTB é tradicionalmente feito pela Prova Tuberculínica (PPD) ou pelo Interferon Gamma Release Assay (IGRA). Contudo, em cenários de indisponibilidade desses exames, a avaliação clínica e epidemiológica dos contatos próximos de casos de tuberculose ativa torna-se o pilar para a decisão terapêutica, focando nos grupos de maior vulnerabilidade. O tratamento da ILTB visa prevenir a progressão para a doença ativa, utilizando esquemas com isoniazida ou rifampicina. A escolha do esquema e a duração do tratamento dependem de fatores como idade, comorbidades e perfil de resistência do bacilo. Para PVHA, o tratamento da ILTB é uma intervenção de alto impacto, reduzindo significativamente a morbimortalidade por tuberculose. A adesão ao tratamento e o monitoramento de efeitos adversos são cruciais para o sucesso da quimioprofilaxia, contribuindo para a redução da incidência da tuberculose na comunidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os grupos de maior risco para progressão da ILTB para TB ativa?

Os grupos de maior risco incluem pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA), crianças menores de 5 anos, imunossuprimidos (transplantados, em uso de anti-TNF), e pacientes com silicose ou insuficiência renal crônica em diálise. PVHA apresentam o risco mais elevado.

Por que o tratamento da ILTB é prioritário para PVHA?

PVHA têm um risco 20 a 37 vezes maior de desenvolver tuberculose ativa após a infecção latente devido à imunossupressão. O tratamento da ILTB é crucial para prevenir a doença ativa, que pode ser grave e fatal neste grupo.

Qual a conduta em caso de indisponibilidade de PPD e IGRA para diagnóstico de ILTB?

Na indisponibilidade de PPD e IGRA, a decisão de tratar a ILTB em contatos próximos de casos de TB ativa deve ser baseada na avaliação clínica e nos fatores de risco do contato, priorizando os grupos mais vulneráveis à progressão da doença, como PVHA e crianças pequenas.

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