Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021
Em uma família composta por pais e três crianças com idade de 6 meses, 2 anos e 4 anos, o pai recebeu o diagnóstico de tuberculose há 2 meses. Ele está em tratamento, com boa evolução clínica e negativação da bacterioscopia do escarro. A mãe e os filhos estão assintomáticos respiratórios, sem alterações na radiografia de tórax. O resultado do PPD realizado nas crianças foi o seguinte: na criança de 6 meses, não reator; na criança de 2 anos, igual a 10 mm; e na criança de quatro anos, igual a 6 mm.Nesse caso, deve-se
Contato TB < 5 anos com PPD ≥ 5mm ou < 1 ano não reator → tratar ILTB.
Crianças menores de 5 anos em contato com caso de tuberculose pulmonar bacilífera têm alto risco de desenvolver doença ativa e formas graves. O tratamento da Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) é crucial, especialmente para menores de 1 ano (mesmo com PPD não reator) e para aqueles com PPD reator (≥ 5mm) em contato.
A Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) em crianças representa um desafio significativo na saúde pública, especialmente em regiões endêmicas. É definida pela presença de Mycobacterium tuberculosis no organismo sem manifestações clínicas ou radiológicas de doença ativa. A identificação e o tratamento da ILTB são cruciais para prevenir a progressão para tuberculose ativa, que pode ser grave em pediatria, com risco de formas disseminadas como a meningite tuberculosa. O diagnóstico da ILTB em crianças é baseado na história de contato com um caso de tuberculose pulmonar bacilífera e na realização da Prova Tuberculínica (PPD) ou de testes de liberação de interferon-gama (IGRA). Em crianças menores de 5 anos, um PPD ≥ 5mm é considerado reator. No entanto, em menores de 1 ano, o tratamento é recomendado mesmo com PPD não reator devido à imaturidade imunológica e ao alto risco de progressão. A radiografia de tórax deve ser normal para confirmar a ausência de doença ativa. A quimioprofilaxia da ILTB em crianças é realizada principalmente com isoniazida, geralmente por 6 meses. A rifampicina por 4 meses é uma alternativa. A adesão ao tratamento é fundamental para o sucesso. O acompanhamento clínico é essencial para monitorar efeitos adversos e garantir a conclusão do esquema, visando reduzir a carga da doença e suas complicações na população pediátrica.
O tratamento da ILTB em crianças é indicado para contatos domiciliares de casos de tuberculose pulmonar bacilífera, especialmente menores de 5 anos com PPD ≥ 5mm, ou menores de 1 ano mesmo com PPD não reator.
O esquema mais comum é isoniazida diária por 6 meses. Em casos de intolerância ou resistência, rifampicina por 4 meses pode ser uma alternativa.
Crianças muito jovens podem ter imaturidade imunológica e não montar uma resposta adequada ao PPD, resultando em um falso negativo, enquanto o risco de progressão para doença ativa é alto.
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