Tuberculose Latente: Diagnóstico e Quimioprofilaxia

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Marina, 45 anos de idade, sem antecedentes patológicos conhecidos, mora com a mãe, que há uma semana teve diagnóstico de tuberculose pulmonar. Por orientação do médico da UBS, apesar de estar assintomática, a paciente fez uma prova tuberculínica (reação de Mantoux ou PPD), que resultou = 10mm de diâmetro, 48 horas após a aplicação. A conduta para Marina será:

Alternativas

  1. A) Tratar com rifampicina, isoniazida e etambutol por 9 meses.
  2. B) Investigar bacilo álcool ácido em 3 amostras de escarro.
  3. C) Radiografia de tórax; se normal, prescrever isoniazida por 6 meses.
  4. D) Tratar com rifampicina, isoniazida, etionamida por 6 meses.

Pérola Clínica

Contactante de TB ativa + PPD ≥ 5mm + assintomático → RX tórax para excluir TB ativa; se normal, tratar ITBL com isoniazida.

Resumo-Chave

Em contactantes de tuberculose pulmonar bacilífera com PPD reator (≥ 5mm), a primeira etapa é excluir doença ativa com radiografia de tórax. Se o RX for normal, indica infecção latente (ITBL), e a quimioprofilaxia com isoniazida por 6 meses é indicada para prevenir o desenvolvimento da doença ativa.

Contexto Educacional

A Infecção Latente por Tuberculose (ITBL) representa um reservatório significativo para o desenvolvimento da tuberculose ativa, sendo crucial sua identificação e tratamento em grupos de risco. Contactantes de casos de tuberculose pulmonar bacilífera, como a mãe da paciente, são considerados de alto risco para desenvolver a doença ativa. A prova tuberculínica (PPD) é o principal método de rastreamento para ITBL, e sua interpretação deve considerar o contexto clínico do paciente. Para contactantes, um PPD com enduração igual ou superior a 5mm é considerado reator. No entanto, antes de iniciar qualquer tratamento para ITBL, é imperativo excluir a tuberculose ativa, pois a monoterapia com isoniazida em caso de doença ativa pode levar à seleção de cepas resistentes. A radiografia de tórax é o exame de escolha para essa exclusão. Se a radiografia for normal e o paciente assintomático, confirma-se a ITBL. A quimioprofilaxia da ITBL é uma estratégia fundamental para o controle da tuberculose. O esquema mais utilizado é a isoniazida diária por 6 meses, que demonstrou ser eficaz na prevenção da progressão para a doença ativa. Residentes devem estar aptos a identificar os grupos de risco, interpretar o PPD corretamente e seguir o fluxograma diagnóstico e terapêutico para ITBL, contribuindo para a saúde pública e a redução da incidência da tuberculose.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar um PPD positivo em contactantes de tuberculose?

Em contactantes de tuberculose, um PPD com enduração ≥ 5mm é considerado positivo, indicando infecção pelo Mycobacterium tuberculosis.

Por que é crucial realizar uma radiografia de tórax antes de iniciar a quimioprofilaxia para ITBL?

A radiografia de tórax é essencial para excluir a tuberculose ativa. Se houver doença ativa, a monoterapia com isoniazida seria inadequada e poderia induzir resistência medicamentosa.

Qual o esquema de tratamento recomendado para a Infecção Latente por Tuberculose (ITBL) em adultos?

O esquema mais comum para ITBL em adultos é a isoniazida diária por 6 a 9 meses. Outras opções incluem rifampicina por 4 meses ou isoniazida + rifapentina semanal por 3 meses.

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