Tuberculose Latente Infantil: Diagnóstico e Tratamento Essencial

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Escolar, sexo feminino, com 7 anos de idade, comparece a uma consulta pediátrica após o diagnóstico de tuberculose em um familiar agregado que mora em casa, que iniciou o tratamento específico há 2 semanas. A criança não apresenta tosse, febre ou quaisquer sintomas e recebeu a vacina BCG ao nascimento. Sobre a investigação e conduta para essa criança, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) deve-se solicitar radiografia do tórax e prova tuberculínica; se a radiografia for normal e a prova tuberculínica de 3 mm, dar alta para a criança.
  2. B) deve-se solicitar apenas prova tuberculínica; se 11 mm, iniciar o tratamento com esquema quádruplo, independentemente de qualquer achado radiológico.
  3. C) deve-se solicitar prova tuberculínica e radiografia de tórax; se 7 mm, sem achados radiológicos, indicar tratamento da infecção latente.
  4. D) deve-se iniciar tratamento profilático com isoniazida ou rifampicina até 3 meses após a negativação do escarro da mãe.
  5. E) solicitar apenas exame radiológico do tórax; se a radiografia for anormal, iniciar tratamento de infecção latente.

Pérola Clínica

Contato TB infantil, PPD ≥ 5mm (vacinado BCG) + RX normal = Tratamento Infecção Latente por Tuberculose (ILTB).

Resumo-Chave

Em crianças contactantes de tuberculose, a investigação inclui PPD e radiografia de tórax. Um PPD ≥ 5mm (para vacinados com BCG) ou ≥ 10mm (para não vacinados) em contato com caso ativo, sem sintomas e com radiografia normal, indica Infecção Latente por Tuberculose (ILTB), que requer tratamento para prevenir a doença ativa.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) em crianças é um grave problema de saúde pública, e a identificação e manejo de contatos são cruciais para o controle da doença. Crianças, especialmente as menores de 5 anos, são particularmente vulneráveis a desenvolver TB ativa após a infecção, e a progressão da infecção latente para a doença ativa é mais rápida e com maior risco de formas graves. A investigação de uma criança contactante de TB ativa deve incluir a prova tuberculínica (PPD) e a radiografia de tórax. O PPD, ou teste de Mantoux, avalia a resposta imune à tuberculina. Em crianças vacinadas com BCG, um PPD ≥ 5 mm é considerado positivo em contatos de TB. A radiografia de tórax é essencial para excluir a doença ativa, mesmo na ausência de sintomas clínicos. Se a criança apresenta PPD positivo (≥ 5 mm em vacinados com BCG e contactantes) e a radiografia de tórax é normal, sem sinais de doença ativa, o diagnóstico é de Infecção Latente por Tuberculose (ILTB). Nesses casos, o tratamento da ILTB é mandatório para prevenir o desenvolvimento da TB ativa. O tratamento mais comum é com isoniazida por 6 a 9 meses. É um erro comum não tratar a ILTB, pois isso aumenta o risco de progressão para a doença ativa, que exige um esquema terapêutico mais complexo e prolongado.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da prova tuberculínica (PPD) em crianças vacinadas com BCG?

Em crianças vacinadas com BCG, um PPD ≥ 5mm é considerado positivo em contatos de tuberculose, indicando infecção. A vacina BCG pode causar uma reação, mas valores acima de 5mm em contactantes são significativos.

Quando a radiografia de tórax é necessária na investigação de tuberculose em crianças?

A radiografia de tórax é sempre necessária na investigação de contato de tuberculose em crianças para excluir doença ativa. Achados como adenopatia hilar ou infiltrados podem indicar tuberculose pulmonar ativa, mesmo na ausência de sintomas.

Qual o tratamento para infecção latente por tuberculose (ILTB) em crianças?

O tratamento padrão para ILTB em crianças é a isoniazida diária por 6 a 9 meses. Alternativas como rifampicina por 4 meses ou isoniazida + rifapentina semanal por 3 meses também podem ser consideradas, dependendo das diretrizes locais e tolerância.

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