Tuberculose Latente em Crianças: Diagnóstico e Tratamento

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Escolar, sexo masculino, com 9 anos de idade, comparece a uma consulta pediátrica, após o diagnóstico de tuberculose (BAAR+++) de sua mãe, que iniciou o tratamento específico há 40 dias. A criança não apresenta quaisquer sintomas e recebeu a vacina BCG ao nascimento. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada a ser seguida em relação à investigação dessa criança.

Alternativas

  1. A) Solicitar exame radiológico do tórax e prova tuberculínica; se a radiografia for normal e a prova tuberculínica de 7 mm, dar alta para a criança.
  2. B) Solicitar prova tuberculínica; se 13 mm, iniciar o tratamento com esquema tríplice, conforme norma vigente no país, independentemente de qualquer achado radiológico.
  3. C) Solicitar prova tuberculínica; se 8 mm, sem achados radiológicos, indicar tratamento da infecção latente.
  4. D) Iniciar tratamento profilático com hidrazida até 3 meses após a negativação do escarro da mãe.
  5. E) Solicitar exame radiológico do tórax; se a radiografia for anormal, iniciar tratamento de infecção latente.

Pérola Clínica

Contato TB infantil assintomático: PPD > 5mm (ou > 10mm se não imunocomprometido) + RX normal → tratamento infecção latente.

Resumo-Chave

Crianças em contato com adultos com tuberculose pulmonar bacilífera, mesmo assintomáticas e vacinadas com BCG, devem ser investigadas para infecção latente. Um PPD ≥ 5mm (ou ≥ 10mm dependendo do protocolo e fatores de risco) e radiografia de tórax normal indicam tratamento da infecção latente para prevenir a doença ativa.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) em crianças é um importante problema de saúde pública, frequentemente decorrente do contato com adultos bacilíferos. Crianças, especialmente as mais jovens, são mais suscetíveis a desenvolver a doença ativa após a infecção e a apresentar formas graves. A investigação de contatos é crucial para identificar e tratar a infecção latente por tuberculose (ILTB), prevenindo a progressão para a doença ativa. A avaliação de uma criança contato de TB inclui anamnese detalhada, exame físico, prova tuberculínica (PPD) e radiografia de tórax. A interpretação do PPD em crianças vacinadas com BCG é um desafio, mas um PPD ≥ 5mm em contatos de casos bacilíferos é geralmente considerado positivo, especialmente se houver fatores de risco. A radiografia de tórax é fundamental para descartar doença ativa. O tratamento da ILTB em crianças é feito com isoniazida por 6 a 9 meses, visando reduzir o risco de desenvolver TB ativa. É essencial diferenciar a ILTB da doença ativa, pois o tratamento é distinto. A quimioprofilaxia é uma medida preventiva eficaz e deve ser iniciada após a exclusão de doença ativa e a confirmação da infecção latente, seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Controle da Tuberculose.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da prova tuberculínica (PPD) na investigação de crianças contatos de TB?

O PPD é fundamental para identificar a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis em crianças. Em contatos de casos bacilíferos, um PPD positivo (geralmente ≥ 5mm) indica que a criança foi infectada e necessita de tratamento para infecção latente, mesmo que assintomática.

Quando é indicado o tratamento da infecção latente por tuberculose em crianças?

O tratamento da infecção latente é indicado para crianças contatos de casos bacilíferos com PPD positivo e radiografia de tórax normal, após exclusão de doença ativa. O objetivo é prevenir a progressão para a tuberculose ativa, que pode ser grave em crianças.

Como a vacina BCG influencia a interpretação do PPD em crianças?

A vacina BCG pode causar uma reação positiva ao PPD, mas geralmente com indurações menores (<10mm) e que diminuem com o tempo. Em contatos de TB, um PPD ≥ 5mm é considerado positivo, independentemente da vacinação, devido ao alto risco de infecção real.

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