Tuberculose Latente: Rastreamento e Manejo de Contatos

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2016

Enunciado

Você atendeu João, 45 anos, com tuberculose na Unidade de Saúde da Família. Na lista de contatos, está a mulher, Maria, de 43 anos e o filho, Marcos, de 21 anos. Você avalia que ambos estão assintomáticos e solicita a Prova Tuberculínica (PT). Maria apresenta PT de 8 mm e Marcos está com PT de 2 mm. Tendo como base as recomendações do Ministério da Saúde para o controle da tuberculose, qual a conduta para Maria e Marcos? 

Alternativas

  1. A) Encaminhar ambos para serviço especializado no tratamento de tuberculose. 
  2. B) Solicitar Raio-X de tórax para ambos e, caso normais, interromper investigação.
  3. C) Iniciar esquema básico para tratamento de tuberculose em Maria; solicitar Raio-X de tórax para Marcos e, caso normal, interromper investigação.
  4. D) Solicitar Raio-X de tórax para Maria e, caso normal, iniciar isoniazida; repetir PT em Marcos em 5 a 8 semanas.
  5. E) Solicitar Raio-X de tórax para ambos e, caso normais, repetir PT em 5 a 8 semanas.

Pérola Clínica

Contato de TB pulmonar com PT ≥ 5mm (imunocompetente) ou PT ≥ 10mm (sem fator de risco) → investigar TB ativa e tratar ILTB.

Resumo-Chave

Em contatos de casos de tuberculose pulmonar, a Prova Tuberculínica (PT) é crucial. Para indivíduos imunocompetentes, uma PT ≥ 5 mm é considerada reatora e indica infecção latente, necessitando de investigação para tuberculose ativa e, se negativa, tratamento da infecção latente. Marcos com 2mm é não reator, mas como contato, também precisa de avaliação.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) continua sendo um grave problema de saúde pública, e o controle da doença depende não apenas do tratamento dos casos ativos, mas também da identificação e manejo dos contatos. O rastreamento de contatos é uma estratégia fundamental para detectar novos casos de TB ativa e identificar indivíduos com infecção latente por tuberculose (ILTB), que possuem risco de desenvolver a doença no futuro. A Prova Tuberculínica (PT), ou PPD, é a principal ferramenta para identificar a ILTB. A interpretação da PT varia conforme o grupo de risco. Para contatos de casos de tuberculose pulmonar, o Ministério da Saúde considera reatora uma enduração ≥ 5 mm, mesmo em indivíduos imunocompetentes, devido ao alto risco de infecção recente e progressão para doença. Para Maria (PT de 8 mm), a PT é reatora. Para Marcos (PT de 2 mm), a PT é não reatora. No entanto, ambos são contatos de um caso de TB pulmonar, o que os coloca em um grupo de risco elevado. A conduta para contatos com PT reatora (como Maria) é investigar a presença de tuberculose ativa, geralmente com radiografia de tórax. Se a TB ativa for descartada, o tratamento da ILTB é indicado para prevenir o desenvolvimento da doença. Para contatos com PT não reatora (como Marcos), a conduta pode variar, mas em geral, a recomendação é repetir a PT após 8 a 12 semanas, pois a infecção pode estar em fase inicial e a PT ainda não ter positivado. Em alguns casos, especialmente em crianças ou imunodeprimidos, a quimioprofilaxia pode ser considerada mesmo com PT negativa inicial. O encaminhamento para serviço especializado garante a avaliação completa e a conduta adequada conforme as diretrizes nacionais.

Perguntas Frequentes

Qual a interpretação da Prova Tuberculínica (PT) em contatos de tuberculose pulmonar?

Em contatos de tuberculose pulmonar, uma PT com enduração ≥ 5 mm é considerada reatora, indicando infecção latente. Para indivíduos sem fatores de risco e sem contato, o ponto de corte é ≥ 10 mm.

Qual a conduta inicial para um contato de tuberculose com PT reatora?

A conduta inicial para um contato com PT reatora é afastar a tuberculose ativa, geralmente com radiografia de tórax. Se a TB ativa for descartada, o tratamento da infecção latente (ILTB) deve ser iniciado para prevenir a progressão para doença.

Por que é importante rastrear e tratar a infecção latente em contatos de tuberculose?

O rastreamento e tratamento da ILTB em contatos são cruciais para interromper a cadeia de transmissão da doença. Indivíduos com ILTB têm um risco aumentado de desenvolver tuberculose ativa, especialmente nos primeiros anos após a infecção.

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