HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021
Uma menina de um ano e oito meses de idade foi internada para tratamento de pneumonia adquirida na comunidade, evoluindo de forma grave e permanecendo na UTI por quinze dias. Após retorno para a enfermaria, mantinha tosse, cansaço e imagem radiológica pulmonar inalterada. Foi realizado o PPD, que demonstrou valor de 12 mm. Na história familiar, o pai apresentava tosse e emagrecimento há um mês e iniciara tratamento específico há duas semanas e o irmão de quatro anos de idade era assintomático respiratório, com radiografia de tórax normal e PPD com valor de 5 mm.Com base nessa situação hipotética, julgue o item.Deve-se iniciar isoniazida para o irmão da paciente, visando a tratar uma tuberculose latente.
Contato < 10 anos + PPD ≥ 5mm + Assintomático + RX normal → Tratar ILTB.
Em crianças contatos de casos bacilíferos, um PPD ≥ 5mm é considerado positivo. Se a investigação clínica e radiológica for negativa para doença ativa, o diagnóstico é de Infecção Latente por Tuberculose (ILTB), exigindo tratamento preventivo.
A abordagem da tuberculose na infância foca na prevenção, dado que crianças pequenas têm alto risco de disseminação hematogênica e formas graves (meningoencefalite e miliar). O rastreamento de contatos é a ferramenta mais eficaz para identificar a Infecção Latente por Tuberculose (ILTB). O caso clínico descreve uma situação clássica: uma criança (irmão) exposta a um pai bacilífero. Mesmo sendo assintomático e com RX normal, o PPD de 5mm confirma a infecção. A fisiopatologia da ILTB reside na persistência de bacilos viáveis no organismo sem evidência de replicação ativa ou lesão tecidual. O tratamento visa eliminar esses bacilos 'dormentes' antes que a imunidade falhe e a doença se manifeste. No Brasil, a transição para esquemas mais curtos com Rifampicina tem sido incentivada, mas a Isoniazida permanece como padrão ouro em muitas diretrizes para o tratamento preventivo.
De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, para crianças que tiveram contato com adultos bacilíferos (casos de TB pulmonar ou laríngea), o ponto de corte da Prova Tuberculínica (PPD) para considerar a infecção latente é de ≥ 5 mm. Diferente da população geral ou de baixo risco, onde valores maiores podem ser exigidos, o risco de progressão para doença grave em crianças pequenas justifica um limiar de positividade menor para iniciar a quimioprofilaxia ou tratamento da ILTB. Se o PPD for ≥ 5 mm e a criança estiver assintomática com radiografia de tórax normal, o tratamento está indicado.
Se a criança for assintomática e o PPD inicial for inferior a 5 mm, a conduta depende da idade e do tempo de exposição. Em geral, deve-se repetir o PPD após 8 semanas (janela imunológica). Se o segundo PPD apresentar conversão (aumento de pelo menos 7 mm em relação ao anterior ou atingir ≥ 5 mm), o tratamento da ILTB deve ser iniciado. Se permanecer < 5 mm, a criança é considerada não infectada e recebe alta do monitoramento, desde que o contato com o caso índice tenha sido interrompido ou o caso índice tenha se tornado não bacilífero.
As principais opções recomendadas pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose são a Isoniazida (H) ou a Rifampicina (R). A Isoniazida é utilizada na dose de 5 a 10 mg/kg/dia (máximo 300 mg) por 6 a 9 meses (preferencialmente 270 doses). A Rifampicina é uma alternativa excelente, especialmente para crianças menores de 10 anos, na dose de 10 mg/kg/dia por 4 meses (120 doses), apresentando maior taxa de adesão e menor hepatotoxicidade. A escolha depende da disponibilidade logística e da resistência do caso índice.
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