HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022
Paula, 16 anos de idade, mora com os pais e mais 2 irmãos em uma casa de um cômodo. Procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS), queixando-se de tosse produtiva importante há 3 semanas. No início dos sintomas, procurou atendimento médico e recebeu o diagnóstico de pneumonia, porém não teve melhora após o término da antibioticoterapia. Queixou-se também que as roupas estavam mais largas e que ao final do dia apresentava um suor com uma "quentura no corpo". O exame físico estava normal. Após a investigação realizada no caso, foi estabelecido o diagnóstico de tuberculose pulmonar e iniciado o tratamento. Após a avaliação dos familiares de Paula, Antônio, de 8 anos de idade, recebeu o diagnóstico de infecção latente por tuberculose e iniciou tratamento. Após 30 dias do início do tratamento, Antônio passou a queixar-se de "formigamentos nas mãos e pés". Assinale a alternativa que contém o tratamento adequado instituído para Antônio e a prescrição indicada para a resolução do efeito adverso apresentado, respectivamente:
Isoniazida → Neuropatia periférica (formigamento); Prevenção/Tratamento = Piridoxina (Vitamina B6).
O tratamento da ILTB em crianças frequentemente utiliza Isoniazida. A neuropatia periférica é um efeito adverso dose-dependente causado pela depleção de piridoxina, exigindo suplementação.
O manejo da Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) é um pilar fundamental para a eliminação da TB, visando impedir a progressão para a forma ativa da doença. Em contatos domiciliares, especialmente crianças, a triagem com PPD ou IGRA é mandatória. A Isoniazida, embora eficaz, possui um perfil de efeitos colaterais que inclui hepatotoxicidade e neuropatia periférica. A neuropatia ocorre pela depleção de vitamina B6, manifestando-se clinicamente como parestesias distais e simétricas. A identificação precoce desses sintomas permite a intervenção com piridoxina, evitando danos neurológicos permanentes e garantindo a adesão ao tratamento prolongado.
A isoniazida interfere no metabolismo da piridoxina (vitamina B6) ao formar complexos isoniazida-piridoxal que são excretados na urina e ao inibir a enzima piridoxina fosfoquinase. Isso resulta em uma deficiência funcional de B6, essencial para a síntese de neurotransmissores e manutenção da bainha de mielina, levando a sintomas sensoriais como parestesias em extremidades.
Para o tratamento da neuropatia periférica induzida por isoniazida, as doses de piridoxina variam geralmente entre 50 mg a 100 mg por dia até a resolução dos sintomas. Em grupos de risco (gestantes, etilistas, desnutridos), a suplementação profilática com doses menores (5-10 mg/dia) pode ser indicada para prevenir o surgimento do quadro.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda a Isoniazida (9 meses ou 6 meses/270 doses) ou a Rifampicina (4 meses/120 doses). A escolha depende da idade, resistência do caso índice e tolerância do paciente, sendo a Rifampicina preferencial em crianças menores de 10 anos e idosos em alguns protocolos devido à menor hepatotoxicidade.
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