Tuberculose Latente: Investigação em Adolescentes Contactantes

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

Adolescente, com 12 anos de idade, é identificado por “busca ativa” após o diagnóstico de tuberculose (BAAR+++) em seu pai, que iniciou o tratamento há 1 mês. O adolescente não tem tosse, não tem febre e nem apresenta quaisquer outros sintomas. Nas anotações de seu prontuário, verifica-se que recebeu uma dose de vacina BCG quando nasceu. Solicitou-se uma radiografia do tórax, que está normal. Assinale a alternativa correta sobre a conduta para esse adolescente.

Alternativas

  1. A) Deve-se solicitar teste tuberculínico; se resultado for 10 mm, iniciar o tratamento para tuberculose.
  2. B) Deve-se solicitar teste tuberculínico; se resultado for 4 mm, deve-se repetir o teste.
  3. C) Deve-se solicitar teste tuberculínico; se resultado for 2 mm, deve-se dar alta para o adolescente.
  4. D) Não se deve realizar teste tuberculínico, pois paciente está totalmente assintomático e o tratamento do pai já tem duração maior que 3 semanas.

Pérola Clínica

Contato TB BAAR+++ + BCG + TT < 5mm → repetir TT em 6-8 semanas para confirmar ILTB.

Resumo-Chave

Em adolescentes contactantes de tuberculose pulmonar BAAR positivo, mesmo assintomáticos e vacinados com BCG, o teste tuberculínico (TT) é mandatório. Se o resultado inicial for negativo (<5mm), o TT deve ser repetido após 6-8 semanas para descartar uma infecção recente (janela imunológica).

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) continua sendo um grave problema de saúde pública, e a identificação e manejo de contactantes são estratégias cruciais para o controle da doença. Em adolescentes, especialmente aqueles que são contactantes de casos de TB pulmonar bacilífera (BAAR+++), a investigação para infecção latente por tuberculose (ILTB) é imperativa, mesmo na ausência de sintomas e com radiografia de tórax normal. A vacinação com BCG ao nascimento não confere proteção completa contra a infecção e não contraindica a realização do teste tuberculínico (TT ou PPD). A interpretação do TT em vacinados com BCG e contactantes de TB é um ponto de atenção: uma enduração ≥ 5 mm é considerada positiva. No entanto, se o resultado for < 5 mm, é fundamental repetir o TT após 6 a 8 semanas. Essa repetição permite identificar casos de infecção recente que ainda não haviam desenvolvido resposta imune detectável no primeiro teste, cobrindo a chamada 'janela imunológica'. A conduta adequada para ILTB, que envolve o tratamento preventivo com isoniazida, é essencial para reduzir o risco de progressão para a doença ativa, contribuindo significativamente para a interrupção da cadeia de transmissão e para a saúde individual do adolescente.

Perguntas Frequentes

Quando o teste tuberculínico (TT) é considerado positivo em um adolescente vacinado com BCG que é contactante de tuberculose?

Em um adolescente contactante de tuberculose, mesmo vacinado com BCG, um TT com enduração ≥ 5 mm é considerado positivo e indica infecção latente por tuberculose (ILTB). A vacinação prévia não impede a infecção e não invalida o teste em contactantes.

Por que é necessário repetir o teste tuberculínico se o resultado inicial for baixo em um contactante?

A repetição do TT após 6-8 semanas é necessária para cobrir a 'janela imunológica'. Se o adolescente foi infectado recentemente, pode não ter desenvolvido hipersensibilidade tardia suficiente para um TT positivo no primeiro teste. Um segundo teste pode positivar, confirmando a ILTB.

Qual a conduta se o adolescente contactante de tuberculose tiver um teste tuberculínico positivo?

Se o TT for positivo (≥ 5 mm em contactante), e o adolescente estiver assintomático com radiografia de tórax normal, ele deve ser tratado para infecção latente por tuberculose (ILTB) com isoniazida por 6 ou 9 meses, conforme as diretrizes nacionais, para prevenir o desenvolvimento da doença ativa.

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