SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Menino, 8 anos de idade, é filho de mãe diagnosticada com tuberculose bacilífera há 2 semanas. Tem vacinação completa para a idade, fez BCG id com 15 dias de vida. Foi diagnosticado com pneumonia aos 2 e aos 4 anos de idade, medicado ambulatorialmente. Realizou radiografia de tórax, sem alterações e teste tuberculínico, lido com 72 horas, 12 mm. A conduta indicada para essa criança é:
Criança contato + RX normal + PPD ≥ 5mm → Tratar ILTB com Isoniazida (270 doses).
Em crianças contatos de casos bacilíferos, o teste tuberculínico positivo (≥ 5mm) com radiografia de tórax normal define Infecção Latente por Tuberculose (ILTB), exigindo tratamento preventivo.
O manejo da tuberculose na infância foca na prevenção. Crianças menores de 10 anos expostas a casos bacilíferos têm alto risco de adoecimento. O protocolo brasileiro exige avaliação clínica, radiológica e imunológica (PPD). A ausência de sintomas e imagem limpa, associada à evidência de infecção (PPD positivo), impõe o tratamento da ILTB. A adesão às 270 doses é o principal desafio, mas é essencial para o controle epidemiológico da doença.
Para crianças que tiveram contato com adultos bacilíferos (tuberculose ativa com baciloscopia ou cultura positiva), o ponto de corte para o teste tuberculínico (PPD) é de 5 mm. Se o PPD for ≥ 5 mm e a criança estiver assintomática com radiografia de tórax normal, diagnostica-se Infecção Latente por Tuberculose (ILTB). Em crianças vacinadas com BCG há menos de dois anos, o PPD pode sofrer influência da vacina, mas em contextos de exposição domiciliar recente, a valorização do teste é prioritária para evitar a progressão para formas graves da doença, como a meningite tuberculosa ou a forma miliar, que são mais comuns na faixa etária pediátrica.
O esquema de Isoniazida na dose de 5 a 10 mg/kg/dia (máximo 300 mg) por 270 doses, administradas entre 9 a 12 meses, é o regime clássico recomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil para o tratamento da ILTB. Esse tempo prolongado garante a esterilização de bacilos em estado de latência metabólica, reduzindo o risco de reativação da doença em até 90%. Embora existam esquemas mais curtos, como a Rifampicina por 4 meses ou Isoniazida + Rifapentina, a Isoniazida isolada por 9 meses permanece como uma opção robusta e amplamente validada em protocolos nacionais para garantir a proteção de longo prazo em crianças expostas.
Se a criança apresentasse qualquer alteração na radiografia de tórax (como adenopatia hilar, infiltrados ou consolidações) ou sintomas clínicos (febre, tosse persistente, perda ponderal), a conduta mudaria drasticamente de tratamento de infecção latente para tratamento de Tuberculose Doença. Nesse caso, seria iniciado o esquema terapêutico completo (RIPE: Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol, ajustado para idade) por 6 meses. A distinção entre infecção latente e doença ativa é fundamental, pois o tratamento com apenas uma droga (monoterapia com Isoniazida) em um paciente com doença ativa induziria rapidamente a resistência bacteriana.
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