TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Paciente de 57 anos, portador de cirrose hepática por hepatite C crônica, está em seguimento ambulatorial com indicação de transplante hepático. Dentre os exames de rastreamento, realizou o teste tuberculínico (TT), cujo resultado foi igual a 6 mm e raio-x de tórax, que foi normal. Não apresenta sintomas respiratórios. Considerando o risco de adoecimento por tuberculose, a conduta mais adequada para este paciente estabelece:
PPD ≥ 5mm em candidatos a transplante ou imunossuprimidos → Tratar ILTB (Isoniazida).
Pacientes candidatos a transplante de órgãos sólidos são considerados imunossuprimidos de alto risco; um PPD ≥ 5mm indica infecção latente, exigindo tratamento para evitar reativação grave pós-transplante.
A Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) ocorre quando um indivíduo é infectado pelo Mycobacterium tuberculosis, mas não apresenta doença ativa. Em pacientes com cirrose hepática e candidatos a transplante, a triagem é obrigatória. O Teste Tuberculínico (TT) avalia a resposta de hipersensibilidade tardia mediada por células T. No cenário de pré-transplante, a conduta de tratar com Isoniazida 300mg/dia por 6 meses (ou 270 doses) visa esterilizar os focos latentes. É fundamental monitorar a hepatotoxicidade, especialmente em cirróticos, embora o benefício da prevenção da TB ativa geralmente supere os riscos. A ausência de sintomas respiratórios e o raio-x de tórax normal são essenciais para excluir doença ativa antes de iniciar a monoterapia.
Para pacientes candidatos a transplante de órgãos sólidos, o ponto de corte para considerar o Teste Tuberculínico (TT/PPD) como positivo é de 5 mm. Isso ocorre porque a imunossupressão (mesmo a decorrente da cirrose avançada) reduz a reatividade cutânea, exigindo um limiar menor para diagnóstico de ILTB.
O esquema clássico é a Isoniazida na dose de 5 a 10 mg/kg/dia (até o máximo de 300 mg/dia) por um período de 6 a 9 meses. Alternativamente, o Ministério da Saúde recomenda a Rifampicina por 4 meses em situações específicas ou a Rifapentina + Isoniazida (esquema 3HP) por 3 meses.
Após o transplante, o uso de potentes imunossupressores (como corticoides e inibidores de calcineurina) aumenta drasticamente o risco de reativação da tuberculose latente para a forma ativa, que frequentemente se apresenta de maneira disseminada ou extrapulmonar, com alta mortalidade.
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