Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Escolar, sexo feminino, com 7 anos e meio de idade, comparece a uma consulta após o diagnóstico de tuberculose confirmado em sua mãe, que convive com HIV e que iniciou o tratamento com esquema de quatro fármacos há cerca de 30 dias. A criança, não soropositiva para o HIV, não tem tosse, não tem febre e nem apresenta quaisquer outros sintomas. A criança recebeu uma dose da vacina BCG quando nasceu. Solicitou-se uma radiografia do tórax, que não demonstra alterações e um teste tuberculínico (TT). Assinale a alternativa que correlaciona de forma correta os possiveis achados desse exame e sua respectiva conduta:
Contato TB + Assintomático + Rx normal + PPD ≥ 5mm → Tratamento de Infecção Latente (ILTB).
Em crianças contatos de bacilíferos, um PPD ≥ 5mm (independente da vacinação BCG se realizada há mais de 2 anos) indica infecção latente, exigindo tratamento preventivo após exclusão de doença ativa.
O manejo de crianças expostas à tuberculose é uma prioridade de saúde pública. A investigação inicial foca na exclusão de doença ativa através da anamnese e radiografia de tórax. Uma vez descartada a doença, o Teste Tuberculínico (PPD) é a ferramenta padrão para identificar a infecção latente. A interpretação do PPD deve considerar o tempo decorrido desde a vacinação BCG; no entanto, em contatos domiciliares, a reatividade ≥ 5mm é fortemente sugestiva de infecção recente. O tratamento da ILTB reduz drasticamente o risco de desenvolvimento de formas graves de tuberculose, como a meningoencefalite e a forma miliar, que são mais comuns na faixa etária pediátrica.
De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, para crianças contatos de casos bacilíferos, o ponto de corte do Teste Tuberculínico (PT/PPD) é ≥ 5 mm para indicar o tratamento da infecção latente, independentemente do status vacinal da BCG, desde que a vacinação tenha ocorrido há mais de 2 anos. Se a criança for assintomática e tiver radiografia de tórax normal, o diagnóstico de doença ativa é afastado e inicia-se o tratamento da ILTB com Isoniazida ou Rifampicina.
A Infecção Latente (ILTB) é caracterizada por um paciente assintomático, com radiografia de tórax sem alterações, mas com evidência de infecção pelo Mycobacterium tuberculosis (PPD reator ou IGRA positivo). Já a Tuberculose Doença apresenta sintomas clínicos (tosse, febre, perda de peso, sudorese noturna) e/ou alterações radiológicas sugestivas (adenomegalias hilares, infiltrados, cavitações). O manejo da ILTB visa prevenir a progressão para doença.
As opções principais incluem a Isoniazida (5 a 10 mg/kg/dia) por 6 a 9 meses (mínimo de 180 a 270 doses) ou a Rifampicina (10 mg/kg/dia) por 4 meses (mínimo de 120 doses). A escolha depende da idade, adesão e perfil de resistência do caso índice. Em menores de 10 anos, a Rifampicina tem sido preferida em alguns protocolos devido ao menor tempo de tratamento e perfil de segurança.
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