UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2015
Raul, 10 anos de idade, vem em consulta de retorno trazido por sua mãe que está em tratamento para tuberculose. Não é vacinado com BCG, apresenta PPD = 14 mm, RX de tórax normal e sem sintomas clínicos de tuberculose. Qual conduta deve ser tomada?
Contato TB, PPD > 10mm, RX normal, assintomático, < 10 anos ou não vacinado BCG → ILTB = Isoniazida 6 meses.
O caso descreve uma infecção latente por tuberculose (ILTB) em uma criança, contato de caso ativo, não vacinada com BCG e com PPD fortemente reator, mas sem doença ativa. A conduta é a quimioprofilaxia com isoniazida por 6 meses para prevenir o desenvolvimento da doença ativa.
A Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) representa um desafio significativo na saúde pública, especialmente em crianças que são contatos de casos ativos. A ILTB ocorre quando o indivíduo é infectado pelo Mycobacterium tuberculosis, mas seu sistema imunológico consegue conter a bactéria, impedindo o desenvolvimento da doença ativa. Nesses casos, o indivíduo não apresenta sintomas e não transmite a doença, mas possui risco de desenvolvê-la no futuro. O diagnóstico da ILTB em crianças baseia-se na história de contato com um caso bacilífero, na realização da Prova Tuberculínica (PPD) e na exclusão de doença ativa por meio de exame clínico e radiografia de tórax. Em crianças não vacinadas com BCG ou com mais de 10 anos, um PPD ≥ 10mm é considerado reator. A quimioprofilaxia, geralmente com isoniazida por 6 meses, é a conduta padrão para prevenir a progressão da ILTB para a tuberculose ativa, sendo crucial para grupos de alto risco como crianças pequenas e imunocomprometidos. É fundamental diferenciar a ILTB da tuberculose ativa, pois o tratamento é distinto. Enquanto a ILTB requer apenas um fármaco (isoniazida), a tuberculose ativa exige um esquema polifarmacológico (RIPE) por um período mais longo. A falha em diagnosticar e tratar adequadamente a ILTB em crianças pode levar ao desenvolvimento de formas graves da doença, como a tuberculose miliar ou meningoencefálica, com alta morbimortalidade.
Em crianças, a ILTB é diagnosticada pela história de contato com caso de tuberculose ativa, PPD reator (geralmente > 5mm ou > 10mm dependendo do contexto e vacinação BCG), e ausência de sintomas clínicos ou alterações radiológicas compatíveis com doença ativa.
A quimioprofilaxia com isoniazida por 6 meses é indicada para crianças contatos de tuberculose, especialmente as menores de 5 anos, imunocomprometidas ou com PPD reator, para prevenir o desenvolvimento da doença ativa.
Deve-se suspeitar de tuberculose ativa em crianças com sintomas como tosse persistente (>3 semanas), febre prolongada, perda de peso, sudorese noturna, adenomegalias ou alterações radiológicas sugestivas, mesmo na ausência de PPD reator.
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