Tuberculose Latente: Diagnóstico e Tratamento em Contatos

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 47 anos, portador de diabetes tipo 2, assintomático, vem à consulta mostrar exames, pois, em sua casa, a esposa e uma neta estão em tratamento para tuberculose. Traz radiograma de tórax dentro da normalidade e prova tuberculínica (PT) de 11 mm. O exame físico é sem particularidades. A conduta adequada para o caso é

Alternativas

  1. A) manter o paciente sem tratamento e repetir o radiograma de tórax em 3 meses.
  2. B) manter o paciente sem tratamento e repetir a PT em 3 meses.
  3. C) iniciar o tratamento com rifampicina por 4 a 6 meses.
  4. D) iniciar o tratamento com isoniazida por 6 a 9 meses.

Pérola Clínica

Contato TB + PPD ≥ 5mm + fator risco (diabetes) + Rx tórax normal → tratar ILTB com isoniazida 6-9 meses.

Resumo-Chave

O paciente apresenta contato domiciliar com casos de tuberculose ativa, fator de risco (diabetes) e prova tuberculínica (PT) positiva (≥ 5 mm em imunocomprometidos ou contatos). Com radiografia de tórax normal, o diagnóstico é de Infecção Latente por Mycobacterium tuberculosis (ILTB), que requer tratamento para prevenir a doença ativa.

Contexto Educacional

A Infecção Latente por Mycobacterium tuberculosis (ILTB) ocorre quando um indivíduo é infectado pela bactéria, mas não desenvolve a doença ativa. O bacilo permanece viável no organismo, mas em estado de dormência, sem causar sintomas ou ser transmitido. No entanto, há um risco de reativação e progressão para tuberculose ativa, especialmente em indivíduos com fatores de risco, como diabetes mellitus, HIV, uso de imunossupressores ou contato domiciliar prolongado com casos ativos. O diagnóstico da ILTB é feito pela Prova Tuberculínica (PT), também conhecida como PPD, ou por testes de liberação de interferon-gama (IGRA). Em contatos de casos de tuberculose e em pacientes imunocomprometidos (como diabéticos), uma enduração de 5 mm ou mais na PT é considerada positiva. É fundamental que a radiografia de tórax seja normal, pois a presença de alterações sugere doença ativa e não ILTB. O tratamento da ILTB é uma medida de saúde pública essencial para o controle da tuberculose. A isoniazida é o fármaco de escolha, administrado diariamente por 6 a 9 meses, com o objetivo de eliminar os bacilos latentes e reduzir significativamente o risco de desenvolvimento da tuberculose ativa. A adesão ao tratamento é crucial, e o acompanhamento para monitorar efeitos adversos, como hepatotoxicidade, é necessário.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar uma Prova Tuberculínica (PT) positiva em um contato de tuberculose com diabetes?

Em contatos de casos de tuberculose e em pacientes imunocomprometidos (como diabéticos), uma PT com enduração ≥ 5 mm é considerada positiva e indica infecção por Mycobacterium tuberculosis, necessitando de avaliação para tratamento da ILTB.

Por que é importante tratar a Infecção Latente por Tuberculose (ILTB)?

O tratamento da ILTB é crucial para prevenir a progressão da infecção latente para a doença ativa, especialmente em indivíduos com fatores de risco, como diabetes, que têm maior probabilidade de desenvolver tuberculose e disseminar a doença.

Quais são as opções de tratamento para a ILTB e qual a duração?

A principal opção é a isoniazida diária por 6 a 9 meses. Outras opções incluem rifampicina por 4 meses ou um esquema combinado de isoniazida e rifapentina semanal por 3 meses, dependendo da tolerância, disponibilidade e diretrizes locais.

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