SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Lana, de 3 anos, é trazida para atendimento na UBS por sua avó, dona Benzarina. A avó relata que a criança falta recorrentemente à escola por “estar sempre gripada”. Queixa-se de que “a menina está sempre com nariz escorrendo e tossindo”, que “toda noite ela dorme mal, com crises de tosse”, que “a menina está tossindo todos o dias há pelo menos um mês uma tosse seca horrível”, que “o tempo não pode mudar que a criança começa a espirrar e tossir” e que “só esse ano ela já precisou ficar internada três vezes por gripe mal curada”. Por fim, relata que o quadro piorou desde que Tales, tio de Lana, voltou a morar com elas depois de cumprir pena de privação provisória de liberdade. Tales apresenta sintomas semelhantes e fuma todos os dias. A investigação clínico-laboratorial de Lana descartou tuberculose ativa, mas indicou infecção latente (ILTB). Assinale a alternativa que traz o esquema terapêutico vigente e recomendado.
ILTB em crianças ≥ 2 anos e adultos → Esquema 3HP (Isoniazida + Rifapentina, 12 doses semanais) é preferencial.
O esquema 3HP aumentou a adesão ao tratamento da ILTB por reduzir o tempo de 6-9 meses para apenas 3 meses, com administração semanal supervisionada ou autoadministrada.
A Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) ocorre quando um indivíduo é infectado pelo Mycobacterium tuberculosis, mas não apresenta evidências clínicas ou radiológicas de doença ativa. O objetivo do tratamento é prevenir a progressão para a forma ativa, que é particularmente perigosa em crianças e imunossuprimidos. O diagnóstico baseia-se na história de exposição associada a testes de imunidade celular (PT ou IGRA). O esquema 3HP (Isoniazida + Rifapentina) revolucionou o manejo da ILTB. Ele consiste em 12 doses administradas uma vez por semana durante 3 meses. Essa mudança foi fundamental para a saúde pública, pois regimes mais curtos garantem que mais pacientes finalizem a terapia, reduzindo o reservatório da doença na comunidade. É essencial monitorar sinais de hepatotoxicidade, embora raros com este regime.
O esquema 3HP (Isoniazida + Rifapentina por 3 meses, 12 doses semanais) apresenta maior taxa de adesão e completude do tratamento em comparação aos esquemas longos de 6 ou 9 meses de Isoniazida diária. Além disso, possui perfil de segurança favorável, com menor hepatotoxicidade relatada em diversos estudos clínicos. É a escolha preferencial para contatos de casos de TB e pessoas vivendo com HIV, desde que não haja contraindicações específicas como interações medicamentosas graves com a Rifapentina.
O tratamento está indicado para indivíduos com prova tuberculínica (PT) ou IGRA positivo, após exclusão de TB ativa, que pertençam a grupos de risco: contatos de casos de TB pulmonar bacilíferos, pessoas vivendo com HIV (PVHIV) com CD4 ≤ 350 ou contatos de TB, usuários de imunossupressores (anti-TNF, corticoides em dose imunossupressora), e crianças expostas. A decisão clínica deve sempre ponderar o risco de progressão para doença ativa versus o risco de eventos adversos do tratamento.
Atualmente, as recomendações do Ministério da Saúde do Brasil priorizam o uso do esquema 3HP para adultos e crianças a partir de 2 anos de idade. Para crianças menores de 2 anos, o esquema tradicionalmente recomendado é a Rifampicina por 4 meses (4R) ou Isoniazida por 6 a 9 meses (6H/9H), devido à escassez de dados farmacocinéticos e de segurança robustos para a Rifapentina nessa faixa etária específica, embora estudos internacionais estejam expandindo essa indicação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo