PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020
Marcela tem 38 anos, é engenheira, divorciada, e descobriu recentemente o diagnóstico de HIV. Ela mora com seu irmão Leandro há 2 anos. Em sua consulta inicial, Marcela fez diversos exames de acompanhamento, incluindo um PPD com resultado de 4mm. Ela está assintomática e iniciou sua terapia antirretroviral há 2 meses. Hoje, durante a consulta de acompanhamento, conta a seu médico que seu irmão Leandro descobriu que está com tuberculose e trouxe os exames que confirmam a doença. Sobre a indicação de tratamento para Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) para Marcela, assinale a alternativa CORRETA.
HIV + contato TB bacilífera → iniciar ILTB após excluir doença ativa, independente do PPD e CD4.
Pacientes com HIV que são contatos intradomiciliares de casos de tuberculose pulmonar bacilífera têm alto risco de desenvolver tuberculose ativa. Nesses casos, a indicação de tratamento para Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) é prioritária, após a exclusão de doença ativa, independentemente do resultado do PPD ou da contagem de CD4.
A tuberculose (TB) é a principal causa de morte entre pessoas vivendo com HIV (PVHIV), tornando a prevenção e o tratamento da Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) uma prioridade. Pacientes com HIV expostos a um caso de TB pulmonar bacilífera, especialmente em contato intradomiciliar, possuem um risco significativamente elevado de progressão para doença ativa, devido à imunossupressão. Nesses indivíduos, a indicação de tratamento para ILTB é robusta e deve ser feita após a exclusão de doença ativa. A avaliação para doença ativa inclui radiografia de tórax e, se houver sintomas respiratórios, pesquisa de bacilo álcool-ácido resistente (BAAR) no escarro. É crucial não depender exclusivamente do PPD, pois a imunossupressão pelo HIV pode levar à anergia, resultando em PPDs falso-negativos, mesmo na presença de ILTB. O tratamento da ILTB em PVHIV geralmente envolve isoniazida por 6 ou 9 meses, ou esquemas mais curtos como rifapentina e isoniazida semanal por 3 meses, sempre considerando interações medicamentosas com a terapia antirretroviral. A decisão de iniciar a ILTB deve ser rápida e baseada no risco de exposição e na condição de imunossupressão, visando prevenir a progressão para TB ativa, que é mais difícil de tratar e tem pior prognóstico em PVHIV.
O PPD (teste tuberculínico) tem menor sensibilidade em pacientes com HIV devido à imunossupressão, podendo apresentar resultados falso-negativos (anergia). Um PPD ≥ 5mm é considerado positivo em pacientes com HIV, mas a ausência de reatividade não exclui ILTB, especialmente em contatos de casos bacilíferos.
Um paciente com HIV que é contato intradomiciliar de um caso de tuberculose pulmonar bacilífera deve iniciar o tratamento para ILTB após a exclusão de doença ativa (com radiografia de tórax e exames de escarro, se houver tosse), independentemente do resultado do PPD ou da contagem de CD4.
Para excluir doença ativa de tuberculose antes de iniciar o tratamento da ILTB em pacientes com HIV, são necessários uma radiografia de tórax e, se o paciente apresentar sintomas respiratórios como tosse, exames de escarro (baciloscopia e cultura) para pesquisa de Mycobacterium tuberculosis.
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