USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
TEXTO PARA A QUESTÃOHomem, 32 anos, residente em uma grande cidade brasileira e procedente de outro país latino-americano, procura a UBS com queixa de tosse produtiva há dois meses. Nas últimas semanas, os episódios de tosse se intensificaram e, em um deles, foram vistos “raios de sangue” no catarro. Foisolicitada 1a baciloscopia do escarro, o TRM-TB, a sorologia para HIV e iniciado o tratamento de tuberculose.A vigilância epidemiológica do município realizou a investigação domiciliar. A família do paciente é formada pela sua esposa, de 27 anos, sogra, de 53 anos, e filha de um mês de idade. Chegaram ao Brasil há seis meses. Nenhuma delas refere sintomatologia respiratória. A criança não recebeu nenhuma vacina. Além da solicitação de sorologia para HIV, assinale qual deve ser a conduta em relação aos contatos domiciliares do caso neste momento.
Contato domiciliar TB: adultos → investigar ILTB; crianças < 5 anos → tratar ILTB, mesmo sem PPD.
Em contatos domiciliares de caso de tuberculose ativa, adultos assintomáticos devem ser investigados para Infecção Latente por Tuberculose (ILTB). Crianças menores de 5 anos, especialmente não vacinadas, têm alto risco de desenvolver TB ativa e devem receber tratamento para ILTB, após exclusão de doença ativa.
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa grave, e a identificação e manejo dos contatos domiciliares são estratégias cruciais para o controle da doença. Contatos próximos, especialmente aqueles que compartilham o mesmo ambiente, têm um risco elevado de desenvolver Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) e, subsequentemente, TB ativa. A fisiopatologia da ILTB envolve a inalação do Mycobacterium tuberculosis e o estabelecimento de uma infecção sem manifestações clínicas. O diagnóstico em adultos é feito por PPD ou IGRA. Em crianças, o risco de progressão da ILTB para TB ativa é maior, especialmente em menores de 5 anos e imunocomprometidos. A conduta para contatos domiciliares difere por faixa etária. Adultos assintomáticos devem ser investigados para ILTB e tratados se positivo. Crianças menores de 5 anos, devido ao alto risco de progressão, devem receber tratamento para ILTB (quimioprofilaxia) após exclusão de TB ativa, mesmo sem PPD positivo. A vacinação BCG não é indicada para contatos já expostos.
Em contatos adultos assintomáticos, a investigação de ILTB é feita com o Teste Tuberculínico (PPD) ou Teste de Liberação de Interferon-Gama (IGRA). Se positivo e após exclusão de TB ativa, o tratamento para ILTB deve ser considerado.
Crianças menores de 5 anos, especialmente as não vacinadas com BCG, que são contatos de um caso de TB ativa, devem receber tratamento para ILTB (quimioprofilaxia) após exclusão de doença ativa, independentemente do resultado do PPD.
A vacina BCG é indicada para crianças que não a receberam ao nascer e que não são contatos de casos de tuberculose. Para contatos de TB, a prioridade é a quimioprofilaxia para ILTB, e a vacina BCG não deve ser administrada em quem já teve contato com o bacilo.
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