Infecção Latente por Tuberculose em Imunossuprimidos

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 58 anos de idade comparece em consulta ambulatorial para seguimento de lúpus eritematoso sistêmico. Tem história desta doença há 20 anos, com acometimento cutâneo, hematológico, articular e renal (nefrite lúpica tipo IV) previamente. Em virtude desta última, apresentou perda progressiva de função renal, evoluindo com necessidade de terapia de substituição renal (hemodiálise) há 7 anos. No momento está assintomática, estando em uso de hidroxicloroquina 400mg/dia e azatioprina 25mg/dia. Apresentou exames laboratoriais que evidenciam nova atividade hematológica da doença e um PPD de 9mm (exame de PPD prévio, realizado no ano anterior, com resultado de 7mm). Foi então indicado o início de prednisona 70mg (1mg/kg/dia) e aumento de azatioprina. Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento quanto ao resultado do PPD?

Alternativas

  1. A) Solicitar tomografia de tórax para confirmação do diagnóstico.
  2. B) Indicar tratamento para infecção latente por tuberculose.
  3. C) Prescrever o esquema básico para tratamento de tuberculose pulmonar.
  4. D) Solicitar teste molecular para tuberculose (TRM-TB) em escarro induzido.

Pérola Clínica

LES + PPD 9mm + imunossupressão (prednisona alta dose) → Tratar infecção latente por tuberculose.

Resumo-Chave

Pacientes com doenças autoimunes como Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) em uso de imunossupressores, especialmente antes de iniciar ou escalar doses de corticosteroides, devem ter o PPD avaliado. Um PPD ≥ 5mm é considerado positivo em imunocomprometidos e indica tratamento da infecção latente por tuberculose para prevenir reativação da doença.

Contexto Educacional

A infecção latente por tuberculose (ILTB) é uma condição em que o indivíduo está infectado pelo Mycobacterium tuberculosis, mas não apresenta sintomas da doença ativa. Em pacientes imunocomprometidos, como aqueles com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) em uso de imunossupressores, o risco de reativação da tuberculose é significativamente maior. A triagem para ILTB é, portanto, uma etapa fundamental antes de iniciar ou intensificar a terapia imunossupressora. O diagnóstico da ILTB é feito principalmente pelo teste tuberculínico (PPD) ou por testes de liberação de interferon gama (IGRA). Em pacientes imunocomprometidos, um PPD com enduração ≥ 5mm é considerado positivo. A decisão de tratar a ILTB é baseada no risco individual de reativação, que é elevado em pacientes com LES que receberão altas doses de corticosteroides ou outros imunossupressores. A conduta de tratar a ILTB visa prevenir a progressão para a doença ativa, que pode ser devastadora. O tratamento da ILTB geralmente envolve o uso de isoniazida por um período de 6 a 9 meses, ou esquemas mais curtos com rifampicina ou combinações. É essencial monitorar a adesão ao tratamento e a ocorrência de efeitos adversos, especialmente a hepatotoxicidade. A profilaxia da tuberculose em pacientes imunossuprimidos é uma medida preventiva de grande impacto na saúde pública e individual, reduzindo a morbidade e mortalidade associadas à reativação da doença.

Perguntas Frequentes

Qual o critério de positividade do PPD em pacientes imunocomprometidos?

Em pacientes imunocomprometidos, como aqueles com LES em uso de imunossupressores, um PPD com enduração igual ou superior a 5mm é considerado positivo, indicando infecção latente por tuberculose.

Por que é importante tratar a infecção latente por tuberculose antes de iniciar imunossupressão?

O tratamento da infecção latente é crucial para prevenir a reativação da tuberculose, que pode ocorrer quando o sistema imunológico do paciente é suprimido por medicamentos como corticosteroides ou imunomoduladores, levando a uma forma ativa e grave da doença.

Quais são as opções de tratamento para infecção latente por tuberculose?

As opções de tratamento incluem isoniazida diária por 6 ou 9 meses, ou esquemas mais curtos como isoniazida e rifapentina semanal por 3 meses, ou rifampicina diária por 4 meses, dependendo da tolerância e do perfil do paciente.

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