Infecção Latente por TB: Diagnóstico e Tratamento em Grupos de Risco

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Estima-se que um quarto da população mundial esteja infectada pelo Mycobacterium tuberculosis, agente causador da tuberculose (TB). Para a erradicação da TB, é imprescindível aumentar o rastreio, diagnóstico e tratamento da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB), reduzindo o risco de adoecimento (Fonte: Brasil. Ministério da Saúde, Protocolo de vigilância da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis no Brasil 2018). Sobre a condição clínica abordada (ILTB), assinale a alternativa correta, segundo recomendações nacionais:

Alternativas

  1. A) Pessoas com a ILTB cujo tratamento será iniciado não precisam ser notificadas devido não haver Ficha de notificação específica para essa situação.
  2. B) A Rifampicina é a droga de escolha nas pessoas vivendo com HIV (PVHIV) em uso de inibidores de protease e dolutegravir.
  3. C) Indivíduos diabéticos, tabagistas (>1 maço/dia) e renais dialíticos são indicados para tratamento da ILTB, se prova tuberculínica > 10 mm ou IGRA positivo.
  4. D) Atualmente o Brasil dispõe de dois esquemas de tratamento para ILTB (isoniazida ou rifampicina), ambos com duração de tratamento de 3 meses.
  5. E) Todo indivíduo com morbidade reumatológica e que usará prednisona em algum momento, independente da dose, tem indicação de tratar ILTB.

Pérola Clínica

ILTB: Diabéticos, tabagistas (>1 maço/dia), renais dialíticos → tratar se PPD >10mm ou IGRA+.

Resumo-Chave

O tratamento da Infecção Latente por Mycobacterium tuberculosis (ILTB) é crucial para a erradicação da tuberculose. Grupos de risco específicos, como diabéticos, tabagistas pesados e renais dialíticos, têm indicação de tratamento se apresentarem PPD > 10mm ou IGRA positivo, visando reduzir o risco de adoecimento.

Contexto Educacional

A Infecção Latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB) representa um reservatório significativo para a manutenção da tuberculose (TB) no mundo. Estima-se que um quarto da população mundial esteja infectada, e a erradicação da TB depende fundamentalmente do rastreio, diagnóstico e tratamento eficaz da ILTB, visando reduzir o risco de adoecimento. O Protocolo de Vigilância da ILTB no Brasil (2018) oferece diretrizes claras para essa abordagem. O diagnóstico da ILTB é realizado principalmente pela Prova Tuberculínica (PPD) ou pelos Testes de Liberação de Interferon-Gama (IGRA). A interpretação do PPD varia conforme o grupo de risco, sendo > 5mm para imunocomprometidos e contatos, e > 10mm para outros grupos de risco. O tratamento da ILTB é indicado para prevenir a progressão para TB ativa em indivíduos com maior risco, incluindo pessoas vivendo com HIV, contatos domiciliares de TB, transplantados, usuários de imunobiológicos, silicóticos, e, conforme a questão, diabéticos, tabagistas (>1 maço/dia) e renais dialíticos, se a prova tuberculínica for > 10mm ou IGRA positivo. Os esquemas de tratamento disponíveis no Brasil incluem Isoniazida por 6 ou 9 meses, Rifampicina por 4 meses, e esquemas mais curtos como Isoniazida + Rifapentina por 3 meses, que estão sendo implementados. A escolha do esquema depende de fatores como idade, comorbidades, interações medicamentosas e perfil de resistência. A notificação da ILTB não é compulsória, mas o monitoramento é essencial para o controle da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais métodos diagnósticos para ILTB?

Os principais métodos diagnósticos para ILTB são a Prova Tuberculínica (PPD), que mede a resposta imune celular à tuberculina, e os Testes de Liberação de Interferon-Gama (IGRA), que detectam a liberação de IFN-γ por linfócitos T em resposta a antígenos específicos do M. tuberculosis.

Quais grupos de pacientes têm indicação de tratamento para ILTB?

Além de contatos de casos de tuberculose ativa e imunocomprometidos (PVHIV, transplantados), pacientes com diabetes, tabagismo (>1 maço/dia), doença renal crônica em diálise, silicose e aqueles que iniciarão terapia imunossupressora têm indicação de tratamento se apresentarem PPD > 10mm ou IGRA positivo.

Quais são os esquemas de tratamento para ILTB disponíveis no Brasil?

Atualmente, o Brasil dispõe de esquemas com Isoniazida (6 ou 9 meses) e Rifampicina (4 meses), além de esquemas mais curtos como Isoniazida + Rifapentina (3 meses, ainda em implementação mais ampla). A escolha depende de fatores como idade, comorbidades e interações medicamentosas.

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