INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um homem de 53 anos foi submetido à laparotomia de emergência devido à diverticulite perfurada e, em seu caso, realizadas sigmoidectomia com colostomia a Hartmann, há 7 dias. Desde o segundo dia de pós-operatório, o paciente apresenta febre intermitente de 39 °C e não consegue se alimentar em razão de distensão abdominal persistente. Ele não apresenta outras queixas. Ao exame físico, apresenta temperatura de 38,9 °C; frequência respiratória de 22 incursões respiratórias por minuto; frequência cardíaca de 114 batimentos por minuto; pressão arterial de 110 × 70 mmHg; pele quente e úmida; pulmões com murmúrios vesiculares pouco diminuídos em bases, sem ruídos adventícios; ritmo cardíaco regular, com bulhas normofonéticas, sem sopros; abdome distendido, ruídos hidroaéreos diminuídos, hipertimpânico, doloroso à palpação profunda difusamente; ferida operatória limpa e seca, sem sinais flogísticos; colostomia com bom aspecto; e sinal de Giordano negativo. O paciente está usando ciprofloxacino e metronidazol endovenosos. Hemograma: leucócitos 21 500 mm³ (valor de referência: 4 500 a 11 000 mm³), 4% de bastões (VR: 0%). Considerando o caso apresentado, quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e o(s) exame(s) mais adequado(s) para investigação neste momento?
Febre persistente + distensão abdominal + leucocitose pós-op de cirurgia abdominal → Suspeitar infecção intra-abdominal; TC abdome/pelve é o exame de escolha.
Em um paciente pós-operatório de cirurgia abdominal complexa, febre persistente, distensão abdominal e leucocitose com desvio à esquerda, mesmo sob antibioticoterapia, são sinais de alerta para infecção intra-abdominal. A tomografia computadorizada de abdome e pelve é o exame mais sensível para identificar coleções, abscessos ou outras complicações.
A infecção intra-abdominal pós-operatória é uma complicação grave e potencialmente fatal após cirurgias abdominais, especialmente em procedimentos complexos como a sigmoidectomia por diverticulite perfurada. A febre persistente, distensão abdominal, íleo prolongado e leucocitose com desvio à esquerda são sinais de alerta que não devem ser subestimados, mesmo na presença de antibioticoterapia empírica. A fisiopatologia envolve a contaminação da cavidade abdominal durante a cirurgia ou a formação de coleções infecciosas (abscessos) devido a vazamentos anastomóticos ou contaminação residual. O diagnóstico precoce é crucial para evitar a progressão para sepse e falência de múltiplos órgãos. A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste é o exame de imagem de escolha, pois permite identificar com precisão a localização e extensão de coleções, abscessos ou outras fontes de infecção. Uma vez diagnosticada, a infecção intra-abdominal geralmente requer drenagem (percutânea ou cirúrgica) e otimização da antibioticoterapia.
Sinais de alerta incluem febre persistente ou recorrente, dor abdominal que não melhora ou piora, distensão abdominal, íleo prolongado, leucocitose com desvio à esquerda e instabilidade hemodinâmica.
A TC oferece alta sensibilidade e especificidade para detectar coleções líquidas, abscessos, fístulas, perfurações e outras alterações inflamatórias ou infecciosas dentro da cavidade abdominal e pélvica, guiando a conduta.
Os diferenciais incluem atelectasia, infecção do trato urinário, infecção da ferida operatória, pneumonia, tromboflebite, e, mais gravemente, infecção intra-abdominal (abscesso, peritonite) ou sepse.
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