Infecção Gonocócica Disseminada: Diagnóstico e Tratamento

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 30 anos apresenta edema, eritema em punho direito e tornozelo esquerdo. Refere instalação súbita. Refere febre e exantema pustular em antebraços. O aspirado de articulação apresenta numerosos leucócitos e neutrófilos, sem microrganismos na coloração de Gram. Qual a melhor opção terapêutica entre as alternativas:

Alternativas

  1. A) Colchicina via oral
  2. B) Ceftriaxone endovenoso
  3. C) Prednisona via oral
  4. D) Corticoide intra articular
  5. E) Indometacina via oral

Pérola Clínica

Oligoartrite migratória + febre + exantema pustular em jovem → Infecção Gonocócica Disseminada (DGI) = Ceftriaxone IV.

Resumo-Chave

A Infecção Gonocócica Disseminada (DGI) deve ser considerada em pacientes jovens com quadro de oligoartrite migratória aguda, febre e lesões cutâneas pustulares ou hemorrágicas, mesmo com Gram negativo no líquido sinovial. A tenossinovite é uma manifestação comum. O tratamento empírico inicial é com Ceftriaxone endovenoso, devido à alta probabilidade de Neisseria gonorrhoeae.

Contexto Educacional

A Infecção Gonocócica Disseminada (DGI) é uma complicação séria da infecção não tratada por Neisseria gonorrhoeae, mais comum em adultos jovens e sexualmente ativos. Embora a prevalência de gonorreia tenha aumentado, a DGI é relativamente rara, mas sua importância clínica reside na necessidade de reconhecimento e tratamento precoces para evitar sequelas. A compreensão da DGI é fundamental para residentes, especialmente em especialidades como reumatologia, infectologia e clínica médica, devido à sua apresentação variada e à necessidade de um alto índice de suspeita. A fisiopatologia da DGI envolve a disseminação hematogênica da Neisseria gonorrhoeae a partir de um sítio de infecção primário (geralmente urogenital, faríngeo ou retal). As manifestações clínicas podem ser divididas em duas fases: uma fase bacterêmica, caracterizada por febre, calafrios, tenossinovite e lesões cutâneas, e uma fase de artrite séptica, onde a infecção se localiza em uma ou mais articulações. A oligoartrite migratória é um achado clássico. O diagnóstico é desafiador, pois as culturas de sítios estéreis (como líquido sinovial) são frequentemente negativas. A identificação da bactéria em sítios mucosos (uretra, cérvix, faringe, reto) ou a resposta à terapia empírica são cruciais. O tratamento da DGI é baseado em antibióticos sistêmicos, sendo o Ceftriaxone endovenoso a escolha primária devido à sua eficácia contra N. gonorrhoeae e à sua boa penetração em tecidos. A duração do tratamento varia, mas geralmente é de 7 a 14 dias. É importante também tratar possíveis coinfecções por Chlamydia trachomatis. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas o atraso no diagnóstico pode levar a danos articulares permanentes. A prevenção envolve práticas sexuais seguras e o rastreamento e tratamento de infecções gonocócicas não complicadas.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas clássicas da Infecção Gonocócica Disseminada (DGI)?

As manifestações clássicas da DGI incluem a tríade de tenossinovite (inflamação dos tendões), dermatite (lesões cutâneas pustulares, vesiculares ou hemorrágicas, geralmente escassas e não pruriginosas) e poliartralgia/oligoartrite migratória. Febre e calafrios também são comuns.

Por que o Gram e a cultura do líquido sinovial podem ser negativos na artrite gonocócica?

O Gram e a cultura do líquido sinovial são frequentemente negativos na artrite gonocócica porque a Neisseria gonorrhoeae é difícil de isolar e pode haver poucos organismos presentes no fluido articular, especialmente na fase de bacteremia. O diagnóstico é muitas vezes clínico e epidemiológico, com resposta à terapia empírica.

Qual é o tratamento de primeira linha para a Infecção Gonocócica Disseminada?

O tratamento de primeira linha para a DGI é Ceftriaxone endovenoso, geralmente 1g a cada 24 horas, por 7 a 14 dias, dependendo da resposta clínica. É comum associar uma dose única de azitromicina ou doxiciclina para cobrir uma possível coinfecção por Chlamydia trachomatis.

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