Artrite Gonocócica Disseminada: Diagnóstico e Bacterioscopia

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 38a, procura o Centro de Saúde com história de febre e queda do estado geral há 5 dias. Refere dor articular no período da manhã que melhora ao longo do dia, acometendo cotovelo direito, punho esquerdo e joelho direito. Há dois dias evoluiu com dificuldade de fletir o quarto dedo da mão direita e manchas pelo corpo. Antecedentes pessoais: atraso menstrual há duas semanas. Exame físico: T=38°C, PA=110x70 mmHg, FC=95 bpm; Membros: joelho direito: aumento da temperatura e sinal da tecla positivo. Pele e mão (ANEXO A). A BACTERIOSCOPIA ESPERADA NA ANÁLISE DA SECREÇÃO ARTICULAR É:

Alternativas

  1. A) Diplococus Gram negativos intra e extracelulares.
  2. B) Bacilo Gram negativo.
  3. C) Hifas septadas.
  4. D) Coco bacilo Gram negativo.

Pérola Clínica

Artrite/tenossinovite migratória + febre + lesões cutâneas + atraso menstrual → suspeitar gonococo disseminado.

Resumo-Chave

A apresentação clínica de artrite migratória, tenossinovite e lesões cutâneas em paciente jovem e sexualmente ativa é altamente sugestiva de infecção gonocócica disseminada. A bacterioscopia do líquido sinovial revelaria diplococos Gram negativos, frequentemente intracelulares, confirmando o diagnóstico.

Contexto Educacional

A infecção gonocócica disseminada (IGD) é uma complicação da infecção por Neisseria gonorrhoeae, mais comum em mulheres jovens e sexualmente ativas. Sua importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico rápido para evitar danos articulares permanentes e outras complicações sistêmicas. A IGD é uma causa comum de artrite séptica em adultos jovens, e sua incidência pode ser subestimada devido à dificuldade diagnóstica. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica da bactéria a partir de um sítio de infecção primário (geralmente urogenital, faríngeo ou retal). O diagnóstico é baseado na tríade clínica de dermatite, tenossinovite e poliartralgia/artrite, juntamente com a identificação do gonococo em culturas de sítios mucosos (uretra, cérvix, faringe, reto) ou, menos frequentemente, no líquido sinovial ou sangue. A bacterioscopia do líquido sinovial, embora nem sempre positiva na cultura, pode ser crucial para o diagnóstico presuntivo ao revelar diplococos Gram negativos. O tratamento da IGD envolve antibioticoterapia parenteral, geralmente com ceftriaxona, seguida de terapia oral. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce, mas atrasos podem levar a danos articulares. É fundamental considerar a IGD em pacientes com artrite aguda, especialmente se acompanhada de tenossinovite e lesões cutâneas, e sempre investigar outras infecções sexualmente transmissíveis concomitantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da infecção gonocócica disseminada?

A infecção gonocócica disseminada (IGD) tipicamente se manifesta com uma tríade de dermatite (lesões pustulosas ou vesiculares), tenossinovite (inflamação de tendões, comum em mãos e pés) e poliartralgia ou artrite migratória. Febre e calafrios também são comuns.

Qual é o achado esperado na bacterioscopia do líquido sinovial em casos de artrite gonocócica?

Na artrite gonocócica, a bacterioscopia do líquido sinovial classicamente revela diplococos Gram negativos, frequentemente encontrados dentro dos neutrófilos (intracelulares). No entanto, a cultura do líquido sinovial pode ser negativa em até 50% dos casos.

Como diferenciar a artrite gonocócica de outras causas de artrite séptica?

A artrite gonocócica se diferencia pela presença de tenossinovite e lesões cutâneas, além de uma história epidemiológica de risco para infecções sexualmente transmissíveis. Outras artrites sépticas geralmente são monoarticulares e não apresentam as manifestações cutâneas e de tendões características da IGD.

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