Infecções Fúngicas Cutâneas em Diabéticos: Achados Diagnósticos

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 44 anos, portador de diabetes mellitus tipo 2 há 5 anos, em insulinoterapia, sem outras comorbidades. Há 2 meses, relata aparecimento da lesão no antebraço com prurido associado (figura). Baseado na principal hipótese diagnóstica, realizou-se um exame complementar.Qual é o achado mais provável?

Alternativas

  1. A) Dermatite psoriasiforme.
  2. B) Elevação da imunoglobulina E.
  3. C) Hifas septadas ramificadas.
  4. D) Epidermotropismo de linfócitos.

Pérola Clínica

DM2 + lesão cutânea pruriginosa → alta suspeita de infecção fúngica → exame micológico direto com hifas septadas.

Resumo-Chave

Pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 têm maior suscetibilidade a infecções fúngicas cutâneas devido à glicemia elevada e comprometimento imunológico. Lesões pruriginosas nesses pacientes devem levantar a suspeita de micoses, cujo diagnóstico é confirmado pela visualização de hifas no exame micológico direto.

Contexto Educacional

As infecções fúngicas cutâneas são um problema comum em pacientes com diabetes mellitus tipo 2, devido a uma combinação de fatores como hiperglicemia crônica, que serve como substrato para o crescimento fúngico, e disfunção imunológica, que compromete a capacidade do organismo de combater patógenos. A pele de diabéticos também pode apresentar alterações de barreira e microcirculação, tornando-a mais vulnerável. O reconhecimento precoce dessas infecções é crucial para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente. As manifestações clínicas variam, mas frequentemente incluem lesões eritematosas, pruriginosas, descamativas ou com vesículas, localizadas em áreas de dobras cutâneas, pés, unhas ou tronco. A suspeita clínica deve ser alta em qualquer paciente diabético com lesões cutâneas persistentes e pruriginosas. O diagnóstico é confirmado pelo exame micológico direto, que consiste na raspagem da lesão e observação ao microscópio após tratamento com hidróxido de potássio (KOH) para dissolver as células epiteliais e evidenciar as estruturas fúngicas, como hifas septadas ramificadas ou leveduras e pseudo-hifas. O tratamento envolve antifúngicos tópicos ou sistêmicos, dependendo da extensão e gravidade da infecção. Além do tratamento específico, é fundamental o controle glicêmico rigoroso, pois a hiperglicemia descontrolada é um fator de risco significativo para recorrência. A educação do paciente sobre higiene e cuidados com a pele também é importante para a prevenção. Para residentes, é essencial associar a comorbidade (DM2) com a maior prevalência de infecções fúngicas e saber o exame diagnóstico chave.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes com diabetes mellitus são mais propensos a infecções fúngicas cutâneas?

Pacientes diabéticos têm maior risco devido à hiperglicemia, que favorece o crescimento de fungos, e a um comprometimento da imunidade celular. Além disso, a neuropatia periférica e a doença vascular podem dificultar a cicatrização e aumentar a suscetibilidade.

Quais são os achados mais prováveis em um exame complementar para uma lesão fúngica em diabéticos?

O exame complementar mais comum é o micológico direto. Os achados mais prováveis são a presença de hifas septadas ramificadas (indicando dermatofitose) ou leveduras e pseudo-hifas (indicando candidíase), dependendo do tipo de fungo.

Quais são os tipos mais comuns de infecções fúngicas cutâneas em pacientes diabéticos?

As infecções fúngicas mais comuns em diabéticos incluem candidíase (especialmente em dobras cutâneas e mucosas) e dermatofitoses (tinea pedis, tinea cruris, tinea corporis), que podem se apresentar com lesões pruriginosas e descamativas.

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