UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020
Paciente em 25º dia de pós-operatório de apendicectomia aberta complicada evoluindo com infecção de ferida operatória. Qual a bactéria gram positiva mais comumente associada a infecção de ferida operatória em casos de longa internação como esse?
Infecção ferida operatória pós-apendicectomia complicada e longa internação → Enterococcus spp.
Em infecções de ferida operatória após cirurgias abdominais complicadas e em pacientes com longa internação, o perfil microbiológico tende a incluir bactérias nosocomiais. Entre as gram-positivas, o Enterococcus spp. é frequentemente isolado, especialmente em infecções intra-abdominais e de sítio cirúrgico profundo, devido à sua presença na flora intestinal e resistência intrínseca a alguns antibióticos.
As infecções de ferida operatória (IFO) são uma das complicações mais comuns e custosas da cirurgia, especialmente após procedimentos abdominais complicados como a apendicectomia com perfuração ou peritonite. A incidência de IFO aumenta significativamente em pacientes com fatores de risco como imunossupressão, diabetes, obesidade e, crucialmente, em casos de longa internação hospitalar, que favorecem a colonização por patógenos nosocomiais. A fisiopatologia da IFO envolve a contaminação do sítio cirúrgico por microrganismos, seja da flora endógena do paciente (pele, trato gastrointestinal) ou exógena (ambiente hospitalar, equipe cirúrgica). Em cirurgias abdominais complicadas, a flora intestinal é a principal fonte de contaminação. O Enterococcus spp., uma bactéria gram-positiva comensal do trato gastrointestinal, é um patógeno oportunista que se destaca nesse cenário devido à sua capacidade de causar infecções hospitalares e sua resistência intrínseca a muitos antibióticos. O diagnóstico de IFO é clínico, com sinais como eritema, dor, calor, edema e secreção purulenta na ferida. O tratamento envolve a abertura da ferida, desbridamento, drenagem e antibioticoterapia direcionada, idealmente guiada por cultura e antibiograma. A prevenção é fundamental e inclui profilaxia antibiótica adequada, técnica cirúrgica asséptica rigorosa e controle de fatores de risco do paciente. A presença de Enterococcus em IFOs de pacientes com longa internação ressalta a importância de considerar um espectro mais amplo de cobertura antibiótica empírica nesses casos.
O Enterococcus é parte da flora intestinal normal. Em cirurgias abdominais complicadas, há maior risco de contaminação com flora entérica. Além disso, a longa internação e o uso prévio de antibióticos podem selecionar cepas de Enterococcus, que possuem resistência intrínseca a várias classes de antimicrobianos.
Fatores de risco incluem apendicite perfurada ou gangrenosa, peritonite, tempo cirúrgico prolongado, contaminação fecal, imunossupressão do paciente, diabetes, obesidade e longa internação hospitalar.
Além do Enterococcus, bactérias gram-negativas como Escherichia coli, Klebsiella spp. e Pseudomonas aeruginosa, bem como anaeróbios como Bacteroides fragilis, são frequentemente isoladas, refletindo a flora intestinal.
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