HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020
Paciente de 61 anos está no 4º pós-operatório de gastrectomia total por adenocarcinoma de corpo gástrico alto, na sua evolução apresenta febre de 38,4 ºC. O abdome encontra-se flácido, com dor em região de cicatriz cirúrgica, ruídos hidro-aéreos presentes e sem sinais de irritação peritoneal. Qual diagnóstico deve ser feito?
Febre 4º PO + dor localizada em cicatriz sem peritonite → infecção de ferida operatória.
A febre no pós-operatório é um sinal inespecífico, mas a localização da dor e a ausência de sinais de irritação peritoneal são cruciais. Dor localizada na cicatriz cirúrgica, sem sinais de peritonite difusa, no 4º dia pós-operatório, sugere fortemente uma infecção superficial da ferida operatória.
A febre no pós-operatório é uma ocorrência comum e exige uma investigação cuidadosa para determinar sua causa. As complicações pós-operatórias podem variar de condições benignas a quadros graves com risco de vida. Em pacientes submetidos a grandes cirurgias abdominais, como a gastrectomia total, a vigilância para infecções e outras complicações é crucial. A febre no 4º dia de pós-operatório já afasta causas precoces como atelectasia pulmonar (geralmente nas primeiras 48h). O diagnóstico diferencial da febre pós-operatória é amplo, incluindo infecção do trato urinário, pneumonia, trombose venosa profunda, infecção da ferida operatória, abscesso intra-abdominal e deiscência de anastomose. No caso apresentado, a presença de febre associada à dor localizada na região da cicatriz cirúrgica, com abdome flácido, ruídos hidro-aéreos presentes e ausência de sinais de irritação peritoneal, aponta fortemente para uma infecção superficial da ferida operatória. A ausência de sinais de peritonite é um dado importante para descartar complicações intra-abdominais mais graves, como abscesso ou deiscência. A infecção de ferida operatória é uma das complicações mais frequentes, manifestando-se geralmente entre o 3º e o 7º dia de pós-operatório. O tratamento envolve a abertura da ferida, drenagem de secreções, desbridamento se necessário e, em alguns casos, antibioticoterapia. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado. É fundamental que o residente saiba diferenciar as causas de febre pós-operatória para instituir a conduta correta e evitar a progressão de complicações mais sérias.
As principais causas de febre no pós-operatório incluem as '5 W's': Wind (atelectasia, pneumonia), Water (infecção do trato urinário), Wound (infecção da ferida operatória), Walk (tromboflebite, TVP) e Wonder drugs (febre medicamentosa). O tempo de surgimento da febre ajuda a direcionar o diagnóstico.
A infecção de ferida operatória geralmente se manifesta com dor localizada, eritema, calor e, por vezes, drenagem purulenta na cicatriz, sem sinais de peritonite. A deiscência de anastomose é uma complicação mais grave, com sinais de sepse, dor abdominal difusa, irritação peritoneal e instabilidade hemodinâmica, podendo evoluir para peritonite.
A atelectasia pulmonar é uma causa comum de febre nas primeiras 24-48 horas de pós-operatório. Pacientes podem apresentar taquipneia, hipoxemia, diminuição dos ruídos respiratórios e macicez à percussão na área afetada, geralmente sem dor abdominal localizada.
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